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Título: Letra de Índios
Título: Cultura escrita, comunicação e memória indígena
Título: nas Reduções do Paraguai
Assunto: História da América do Sul na época colonial,
Assunto: Reduções Jesuíticas, Cultura e religião guarani
Assunto: Literatura de línguas indígenas sul-americanasto:
Autor: Eduardo Neumann
Formato: 16x23
Número de páginas: 240
Editora: Nhanduti Editora 2015
ISBN: 9788560990221
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Eduardo Neumann

Letra de Índios

Título:A escrita nasce no contexto do surgimento das sociedades urbanas que começavam a emergir da pré-história para a história. As cidades sentiram logo a necessidade de se organizar internamente e a escrita desempenhara um importante papel. É importante destacar, entretanto, que o domínio dos códigos da escrita é um privilégio de uma minoria nestas sociedades ditas de letrados,
pois a maioria da população continuava sendo de ágrafa.
Título:O mesmo ocorre nas missões jesuítico-guaranis da bacia do Rio da Prata. Se a população indígena chegou a mais de 100.000 indígenas guaranis, apenas 60 jesuítas produziram a maioria absoluta dos documentos escritos conhecidos. Durante muito tempo, os historiadores tinham conhecimento de uma meia dúzia de cartas escritas por indígenas guaranis, na época dos conflitos da Guerra Guaranítica. Alguns acreditavam mesmo que as cartas teriam sido escritas pelos próprios jesuítas. Com as pesquisas recentes de Eduardo Neumann, um panorama absolutamente novo se delineou, surgindo das brumas do passado a figura de um guarani letrado.
Título:Podemos nos perguntar se a escrita teria sido implantada por causa das necessidades do culto e da difusão da religião, da inserção política na sociedade espanhola ou da administração do povoado. Ou se ela surgiu das necessidades de racionalizar a transmissão das informações, do administrador para seus funcionários, ou do chefe militar (o rei era o “mburuvicha guazú”) para seus subordinados. É possível que ela tenha possibilitado também tornar as normas religiosas do cristianismo e as leis do Estado espanhol mais acessíveis a todos os cidadãos dos jovens núcleos urbanos, evitando assim confiar-se unicamente à memória dos missionários e dos caciques do cabildo. Ela possibilitou, com certeza, a emergência de designações e de individualidades das primeiras personalidades letradas entre os guaranis.Títu
TítuloArno Alvarez Kern

TítTítuA introdução da tecnologia da escrita no mundo guarani constituiu uma revolução que transformou profundamente os modos de pensamento e a organização social e política indígenas. Está claro que tal transformação se produziu no contexto de um regime colonial que precisava de dispositivos mais eficazes para a administração e o governo da população e do território. A produção e circulação de textos na e para a missão facilitava uma eficaz transmissão, preservação e atualização do conhecimento cristão (uma memória social) entre os indígenas. Mas o processo encerrava também um paradoxo, pois a capacidade de escrever e ler textos, inicialmente regulada pelos jesuítas de maneira rigorosa, seria rapidamente apropriada pelos indígenas, que buscaram subverter o controle imposto e usá-la em seu próprio benefício, inclusive como arma contra seus impulsores iniciais.
Título:Depois da expulsão dos jesuítas, as práticas adquiridas se mantiveram em numerosas regiões missioneiras, às vezes de maneira secularizada, mas inteiramente assimiladas e constantemente recriadas pelos indígenas.
Títu Guillermo WildeTítulo

Título:Este é o estudo mais exaustivo jamais publicado sobre as práticas escritas indígenas no mundo missioneiro guarani, os primórdios da escrita guarani. Foi um prazer enorme – como editores e especialistas em línguas – ajudar ao Dr. Eduardo Neumann a dar o passo final em sua tese de doutorado e apresentá-la em formato de livro. Temos certeza de que o nascimento do Letra de Índios será preciosa contribuição não apenas para pesquisadores acadêmicos de várias disciplinas, mas também para um público em geral que sabe das práticas escritas originadas nos povos do Antigo Oriente, porém, desconhece a existência da escrita antiga dos povos ameríndios.
Título:Por isso, o nosso interesse foi, junto com o autor, zelar pela fidelidade aos textos fontes, escritos por atores indígenas concretos, e incorporados ampla e visivelmente nas páginas deste livro. Esse cuidado se traduz em proporcionar os textos antigos no formato mais próximo possível ao original, evitando transliterações e transcrições, e, em alguns casos, até criando letras ou sinais inexistentes em tipologias modernas atuais. Historicamente, a terminologia guarani tem passado por muitas mudanças em sua escrita. Para que o leitor não se sinta confuso nos meandros da grafia guarani, optamos por padronizá-la. Assim, para uso de palavras e expressões não vinculadas a citações padronizamos a grafia conforme a última edição do “Tesoro de la lengua Guaraní” (2011), do “Arte de la lengua Guaraní” (2011) e do “Vocabulario de la lengua Guaraní” (2002) de Antonio Ruiz de Montoya. Para palavras e expressões vinculadas a citações mantemos a grafia do vocábulo ou expressão citada, mas a seguir aduzimos a versão conforme as obras de Montoya citadas acima, por exemplo: “aobebé rerequara / aoveve rerekuára”. Finalmente, com o intuito de ressaltar a bela e surpreendentemente cuida-dosa caligrafia indígena elaboramos uma tipologia de letra baseada nos escritos de Hilario Yrama e aplicamo-la no título do livro, como pode ser apreciado na capa. Esperamos, assim, contribuir para a valorização e apreciação de textos e formas de escrita de atores primordiais da história ameríndia, que durante séculos permaneceram não apenas esquecidos, mas sobretudo desprezados e desvalorizados.
Título:A estruturação temática desta obra, seu tratamento rigoroso da informação, suas amostras de documentos escritos pelos índios, seus detalhados índices de assentamentos e de pessoas cuidadosamente exumados a partir dos fragmentos documentais, que incluem atores indígenas como Felicitas, Christobal Capyi, Rafael Paracatú, Tomas Potira, Alejandro e Miguel Mbaruari, Pasqual Yaguapó, Christobal Eranda, Hilario Yrama, Miguel Guañurüma, Juan Antonio Curiguá, Primo Ybarenda, Valentin Ybariguá e Crisanto Nerenda, sua bibliografia completa e seu enfoque fazem deste livro uma obra de referência imprescindível.
Fig. 10: Bilhete escrito por Hilario Yrama (alcaide), em 3 de agosto de 1757, aos guaranis que permaneceram na redução de San Miguel. (Fonte: AGN, Sala IX, Legajo 6,10,2)
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