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Título: Flor de maio. Poemas
Assunto: Orações e meditações para a vida cotidiana,
Autor: Roberto Zwetsch
Formato: 13x22
Número de páginas: 240
Editora: Nhanduti Editora 2014
ISBN: 9788560990214
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Roberto Zwetsch

Flor de maio. Poemas

Armindo Trevisan:

Os poemas desta coletânea de Roberto Zwetsch não devem apenas ser lidos; devem, também, ser saboreados na sua polpa exterior, e na sua polpa interior. A simplicidade de vida do poeta, sua corajosa opção pelos indígenas, obrigou-o, em várias ocasiões, a ser mais orante do que falante. Que elogio mais discreto se poderia fazer a esse poeta?
A poesia de Zwetsch é comparável a uma criada anônima e elegante da Teologia. Ela se apresenta portadora de um vaso de alabastro, em cujo bojo se oculta o Mistério. Este mantém-se à espreita de cada palavra e, sobretudo, de cada silêncio, verdadeiramente vivenciados pelas pessoas, tanto em lábios puros como em lábios impuros.
Em determinados momentos, é visível e audível a expressão literária de seus versos. Por exemplo, Democracia: A palavra de outro / Escutada / E erguida como sinal; ou “Até Quando, Senhor” (no qual a corda do coração ferido do autor vibra, à semelhança de um violão a chorar num galpão onde à noite só dormem mendigos e cães...).
Sim, caro poeta: anima-nos encontrar em teu livro poemas de Esperança evangélica como “Páscoa, Travessia”! Desse poema realço em especial os magníficos versos: Como o voo esplêndido da garça branca / sob o céu azul da compaixão de Deus. É uma imagem tocante da ternura divina.
Se alguém desejar descobrir o ideal poético de Roberto Zwetsch, medite sobre os versos que ele se digna oferecer-nos (maçãs apanhadas num pomar nas quais ainda cintila o orvalho que as cobriu de madrugada):
Título: Como alcançar o céu / ignorando o cheiro da terra?
Título: Se se cala a Voz do Vento / o que se ouvirá na canção?

Título:Salmo de uma mulher maranhense 

Como Deus é bom!
Ele fez este mundo tão bem feito.
De noite, quanto está escuro,
tem tantas estrelas que brilham no céu.
E a lua é tão bonita!
Como Deus é bom!

Ele semeou ao longo dos riachos
tanta fruta boa pra “nóis vivê”
tanta manga, tanto buriti, bacaba
e macaxeira pra farinha de puba.
Cada época do ano
Deus deixa uma fruta
para o povo do sertão comer.
Como Deus é bom!

Ele fez os rios pequenos e também os grandes
com peixes grumatã e piaba.
Ao longo dos rios deixa viver
tantos animais: a cotia, o tatu...
Como Deus é bom!

Não deixou faltar nada
para o povo do sertão.
Ele semeou as ervas para que ninguém
precisasse passar necessidade
em caso de doença.

Nosso Pai do céu!
Perdoa se algumas pessoas, tomadas pela gula,
cercam milhares hectares de terra!
Elas não enxergam que com isso
diminuem a vida de muitos
que viviam livres
nos vãos onde a fartura era grande. 

Sei que Deus é grande!
Por isso eu peço que ele me deixe voltar
e meus filhos e meus netos, meus parentes
à margem do Rio Maravilha,
onde eu nasci, onde tem fartura de manga,
de buriti, de pequi,
de macaxeira para farinha de puba,
peixe piaba, água, sol e tanta caça.
Lá me sinto gente!
Agradeço ao bom Deus
por ele ter me criado a mim e a todos os irmãos.

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