Menu >> Início | Quem somos | Catálogo | Comprar | Download de textos | Notícias | Contato
Olhe para dentro do livro

Título: Missões, Militância Indigenista e Protoganismo Indígena
XIII Jornadas Internacionais sobre as Missões Jesuíticas. Vol. IITítulo:
Assunto: Missões jesuíticas, História da América do Sul
Autores: Protasio P. Langer, Graciela Chamorro
Formato: 16x23
Número de páginas: 365
Editora: Nhanduti Editora 2012
ISBN: 9788560990153
Veja também:
Fronteiras e Identidades.
Encontros e Desencontros
entre Povos Indígenas
e Missões Religiosas.
XIII Jornadas Internacionais
sobre as Missões Jesuíticas. Vol. I.
Compre no Brasil / Compre fora do Brasil
Compre no Brasil / Compre fora do Brasil
+

Protasio Langer. Graciela Chamorro

Missões, Militância Indigenista e Protoganismo Indígena.
XIII Jornadas Internacionais sobre as Missões Jesuíticas

Título:Introdução:

Título: O foco deste segundo volume de trabalhos apresentados nas XIII Jornadas Internacionais sobre as Missões Jesuíticas realizadas em Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil, de 30 de agosto a 03 de setembro de 2010 incide sobre questões indígenas e indigenistas num recorte cronológico mais ou menos contemporâneo. De um lado, o livro reúne artigos relativos a missões religiosas, religiosidade, conversão e evangelização e, de outro, textos sobre educação, terra, território e territorialidades.

Título: Na Primeira Parte, “Reflexões sobre Missões Religiosas / Protagonismo Indígena”, abrimos o livro com dois artigos que mostram a pertinência e a complexidade do tema “missão”. No primeiro capítulo, Paulo Suess faz um balanço do CIMI, que em 2012 completa 40 anos de atividades pastorais. Os temas tratados são o contexto político nacional e a “violência institucionalizada” contra os povos indígenas, as diretrizes teológicas que subjazem à implantação do CIMI, as perseguições a indígenas e indigenistas ligados a esse órgão, a legitimidade do indigenismo avaliada a partir da capacidade de promover o reconhecimento, e o protagonismo dos povos indígenas.
Título: Roberto Zwetsch parte do arcabouço conceitual da obra “Deus na Aldeia”, organizada por Paula Monteiro, para analisar em que momento e em que medida a ação missionária e indigenista obstaculiza ou promove o protagonismo indígena. Este é definido pelo autor como “o esforço persistente das comunidades indígenas, de suas lideranças e intelectuais pela garantia de direitos inalienáveis, por autonomia cultural, de pensamento e crença, e pelo direito a uma identidade diferenciada”. Zwetsch percebe que os recursos epistemológicos que possibilitam uma análise densa e complexa das articulações entre povos indígenas e missionários do período colonial são apropriados para a análise das relações que se estabelecem, hodiernamente, entre missões cristãs e sociedades indígenas.
Título: Na sequência apresentamos os textos que destacam o protagonismo indígena. Mesmo nos processos históricos exógenos que foram ou são implantados em seu meio, os povos indígenas não são sujeitos passivos. Eles se apropriam desses projetos, parodiam-nos, fazem críticas, ressignificam a intenção original dos agentes não indígenas da missão e são ativos na recepção da missão e na negociação com esses agentes. Os capítulos a seguir dão conta disso.
Título: Dos seus estudos sobre os grupos de fala zamuco, Isabelle Combès analisa no seu artigo como esses grupos, tradicionalmente tidos como “preservados” das missões jesuíticas da Chiquitania na Bolívia, foram atingidos por processos assimilacionistas das referidas missões. Nessa perspectiva, a autora propõe superar a visão simplista e caricaturesca acerca dos atuais ayoreos do oriente boliviano.
Título: Pablo Antunha Barbosa discute como os agentes a serviço do Barão de Antonina identificaram, entre os guarani-falantes do Sul do Mato Grosso, de São Paulo e do Paraná, redes político-sociais familiares, a partir das quais negociavam o estabelecimento de aldeias em conformidade ao decreto nº 426 de 1845 acerca das Missões de Catequese dos Índios, do Brasil Imperial.
Título: Em seu estudo sobre a experiência missionária salesiana no Noroeste Amazônico nas primeiras décadas do século XX, Mauro Gomes da Costa analisa a afinidade de objetivos entre a Igreja e o Estado, assim como os impactos da ação missionária salesiana sobre os povos indígenas missionados.
Título: Ana Maria Melo e Souza apresenta a influência do discurso pentecostal sobre o “modo de ser” Kaiowá. A partir de uma comunidade específica, a autora verifica como os valores propagados pela Igreja Deus é Amor impõem às famílias indígenas a adoção de novos comportamentos e crenças, e como a liderança do pastor se confronta com a do xamã.
Título: Por sua vez, Carlos Barros Gonçalves discorre sobre o surgimento da Missão Caiuá, um projeto protestante de cristianização e civilização do povo Kaiowá do então Sul do Mato Grosso a partir de 1929. O autor mostra a difusão dada às estratégias utilizadas no processo nos jornais das Igrejas consorciadas nessa missão.
Título: O artigo de Levi Marques Pereira mostra que para os Kaiowá e Guarani o processo de conversão ao pentecostalismo tem um efeito reintegrador da personalidade social, por dissolver formas de sociabilidade tradicionais e inaugurar novas redes de relações sociais no âmbito físico da congregação. Para o autor, pela conversão os Kaiowá e Guarani assumem a posição de agentes transformadores de seu próprio sistema social.
Título: Em Dimensões imateriais da Tava Miri São Miguel no discurso Mbyá-Guarani contemporâneo, José Otávio Catafesto de Souza, Mônica Arnt, Carlos Eduardo de Moraes, Daniele Pires e Rita Lewkowicz mostram o embate travado pelos Mbyá com os representantes “civilizados” dos países em que vivem. Nele, os Mbyá rompem com o pensamento que quer enclausurá-los no mundo do mito e da cosmologia e entram no âmbito da política e do direito.
Título: Através de uma entrevista, Gustavo Gomes dos Santos recupera o trabalho apresentado de forma oral nas XIII Jornadas por Édina Silva de Souza (Kunhá Apyká Rendy’í), indígena Guarani. O mesmo tratou da relação entre a religiosidade guarani e as Igrejas cristãs dentro da Reserva Indígena de Dourados e da pertença indígena a ambas as matrizes religiosas.

Título: Na Segunda Parte, “Protagonismo Indígena: Educação / Terra / Reterritorialização”, um primeiro bloco de textos é relativo à educação, hoje uma espécie de missão não religiosa, mas no passado sobretudo religiosa. E no âmbito da educação emerge o tema da terra, da fronteira, do território e da luta contemporânea por reterritorialização.
Título: Cássio Knapp analisa a experiência de formação de monitores bilíngues Kaingang na Terra Indígena de Guarita implementada pelo grupo de pesquisadores-missionários da Missão Evangélica Summer Institute of Linguistics (SIL), via o Curso Normal Bilíngue, realizado na Escola Indígena Clara Camarão em 1970. O autor estuda o bilinguismo de transição e/ou substituição, adotado como ferramenta de alfabetização do SIL.
Título: Sandro Luckmann, por sua vez, apresenta a atuação missionária da IE­CLB na Terra Indígena de Guarita/RS nas décadas de 1960 e 1970, através da educação escolar, âmbito de atuação que permanece nas décadas seguintes, quando a missão entre indígenas passa a ser organizada pelo Conselho de Mis­são entre Indígenas (COMIN), criado em 1982. O autor faz uma breve apresentação dos propósitos e princípios teológicos da atuação atual do COMIN.
Título: Clovis Antonio Brighenti e Graciela Chamorro confrontam em seu artigo as propostas de educação indígena e de educação escolar indígena apresentadas pelos Guarani de Santa Catarina em 2001, no documento final do “Seminário sobre a educação escolar Guarani no sul e sudeste brasileiro”, com as experiências e os desafios atuais das escolas em comunidades indígenas, conforme contam no documento da Comissão Guarani Nhemonguetá, encaminhado à I Conferência de Educação Escolar Indígena (CONEEI) em 2009. O autor problematiza ainda a relação entre oferta de escola e demanda de terras indígenas.
Título: Embora distante geográfica e etnicamente do artigo anterior, Célia Maria Foster Silvestre e Lauriene Seraguza Olegário e Souza oferecem um exemplo da problemática aludida pelo autor anterior, a questão da luta pela terra e a educação escolar indígena. O artigo situa o desaparecimento e a morte de dois professores indígenas, Rolindo e Genivaldo Vera, no contexto do conflito e da violência vivenciados pelo povo Guarani da Área Indígena Pirajuí do município de Paranhos/MS, na luta pela recuperação de seus territórios tradicionais, pelo seu direito à língua, cultura, saúde, educação e soberania alimentar. As autoras documentam que as narrativas dos Guarani mostram a dor e a luta de um povo que busca retomar as terras onde viveu até algumas década atrás.
Título: Partindo do pressuposto de que a luta pela terra das sociedades indígenas é uma luta pela alteridade, na qual a demarcação dos territórios tradicionais indígenas é um aspecto importante, mas não o único para a concretização dos direitos garantidos constitucionalmente, Juliana Grasiéli Bueno Mota analisa as principais notícias divulgadas pelo Jornal O Progresso em 2008 e 2009 sobre as retomadas das terras indígenas, levadas a cabo por grupos Guarani e Kaiowá. A autora mostra como essas ações são criminalizadas pelo diário. A partir do caso “Terra Indígena Panambizinho”, ela destaca os ataques da sociedade moderna capitalista marcada pelo agronegócio ao modo de relação indígena com a terra.
Título: Aloir Pacini analisa fragmentos de uma cartografia da fronteira entre Brasil e Bolívia, mostrando o caráter dinâmico dos limites entre os dois países e as influências deixadas pelas linhas divisórias na autocompreensão da população chiquitana, que outrora fizera parte da Missão de Chiquitos (1691-1767). Nesse contexto, o povo imagina a Terra Indígena Chiquitana como Portal do Encantado.
Título: Protasio Paulo Langer apresenta indicadores etnográficos e históricos do uso de instrumentos musicais de corda, executados com arco nos grupos guarani-falantes do sul de Mato Grosso do Sul. Seus dados mostram que nas aldeias da região de Dourados e Amambai havia num passado recente indíge­nas violinistas que executavam em eventos étnicos e interétnicos instrumentos fabricados por eles próprios.
Título: Em parceria com o líder Mbyá José Cirilo Pires Morinico, José Otávio Ca­tafesto de Souza exemplifica a disposição Mbyá ao diálogo com órgãos que objetivam integrar o reconhecimento dos direitos originários em suas ações. Ao retomarem São Miguel física e simbolicamente, os grupos Mbyá fazem do símbolo da presença jesuítica no sul do Brasil o local do ressurgimento Guarani (Mbyá) e reivindicam vínculo prioritário e precedente sobre os remanescentes declarados Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Seu pedido é que São Miguel seja registrado como Lugar de Referência Cultural Mbya-Guarani, para que o Estado Brasileiro reconheça oficialmente essa ligação entre o material e o imaterial reivindicada pelos Mbya-Guarani nesse lugar e em toda a região.

Português | Español | English
R$ 86,30
R$ 76,50
R$ 150,00