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Título: Relatos desde el exilio. Memorias de los jesuitas
Título: expulsos de la antigua provincia del Paraguay
Assunto: Missões jesuíticas, história da América do Sul, fontes
Autores: Carlos A. Page
Formato: 16x22
Número de páginas: 644
Editora: Servilibro 2011
ISBN: 9789995303426
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Carlos A. Page

Relatos desde el exilio. Memorias de los jesuitas expulsos de la antigua provincia del Paraguay
(Relatos desde o exílio. Memórias dos jesuítas expulsos da antiga província do Paraguai)

José Andrés-Gallego:

Título: Mais que testemunho de uma aventura humana, este livro é sobretudo uma peça de leitura substancial, e isto por não qualificar de delicioso o feixe de dramas que reflete. Trata-se efetivamente de um grande conjunto de relatos, nos quais vários jesuítas do Rio de la Plata – que, para eles, na Companhia de Jesus, era a província do Paraguai, cujo território hoje é compartilhado pelo menos por cinco Estados diferentes – narraram o calvário que sofreram ao atravessar o Atlântico e as outras coisas a que se viram obrigadas quando Carlos III tomou a decisão de expulsá-los de seus  reinos e se adiantou em disponibilizar os navios necessários para tornar isso realidade e não ficou nenhum.

Título:Não se fala aqui, portanto, das consequências de uma pura expulsão, mas do afã de Carlos III em garantir que não ficasse nem um único jesuíta – fora dos noviços que optassem por renunciar ao ingresso na ordem inaciana; tratava-se disso e de levá-los para o Mar Mediterrâneo e – fisicamente – deixá-los em algum dos portos dos Estados Pontifícios, na Itália, para que o papa decidisse o destino daqueles homens acusados exatamente de obedecer ao papa antes que ao rei.

Título:Esse longo processo tem sido relatado muitas vezes e analisado umas tantas, e não se trata de se repetir, mas de recordar algumas das principais dúvidas que ainda estão sem resposta, e sobretudo de acrescentar mais uma, suscitada justamente por estes relatos: Por que eles foram escritos?

Título: A pergunta fica mais importante ainda quando se mergulha nos arquivos de outras ordens religiosas – principalmente agostinianos, franciscanos e dominicanos – e se comprova que também eles tinham que cruzar o Atlântico e que o fizeram frequentemente também em condições penosas. Contudo, essa outra travessia – realizada por dezenas de espanhóis e americanos, principalmente missioneiros – continua enterrada nos arquivos e é somente conhecida pelos  historiadores especializados nesse assunto. Por quê?

Título: Sem dúvida, esse fato está relacionado com outra característica muito bem conhecida por aqueles que trabalham sobre esses documentos, e é que os arquivos jesuíticos costumam ser bastante mais ricos do que a grande maioria dos fundos documentais de qualquer outra ordem religiosa, incluídas as três que mencionamos e que eram bastante mais antigas e chegaram antes à América e aos arquipélagos do Pacífico, sem excluir as próprias Filipinas.

Título: Há uma primeira resposta que não deixa margem para dúvidas: obedeciam ao próprio Santo Inácio. Foi ele mesmo que, ao desenhar o currículo desejável para todo jesuíta, propôs reforçar a capacidade de expressão de todas as formas que lhe vieram à mente, e foi ele mesmo quem mandou que escrevessem sistematicamente informes das atividades que iam se realizando.

Título: No século XVIII, quando os jesuítas foram expulsos das Espanhas e de outros reinos, os filhos de Santo Inácio já sabiam muito bem que a escritura fazia parte indispensável de sua tarefa, digamos, pastoral – ou, se preferimos, apostólica –, incluindo os calvários pelos quais teriam que passar. A obrigação de testemunhar o que ocorria diante de seus olhos forçava-os a refletir, para começar, sobre si mesmos; isto além do fato de que serviria depois para que outros tomassem o testemunho, e para que as palavras continuassem transformando a realidade, melhorando-a.

Título: Pois bem, tenho certeza de que, à medida que for, assim acontecerá com este livro e sua leitura.

Título:Introdução

Título:A intenção deste trabalho é divulgar numa forma crítica e em um só corpo bibliográfico uma série de relatos sobre a expulsão dos jesuítas, escritos por seus próprios protagonistas, ou, dito melhor, pelas vítimas diretas de um acontecimento que se apresenta como um dos fatos mais relevantes e também mais ímpios do século XVIII. Alguns dos textos já foram publicados anteriormente, e outros estavam até agora inéditos e revelam em seu conjunto a intolerância até um pensamento diferente que desembocou num dos fatos de corrupção mais patéticos de América Hispânica. Estes episódios aqui descritos deixaram um antecedente indeletável das políticas latino-americanas dos séculos seguintes, de despojo, entrega e sobretudo de impiedade moral. O resultado foi o arrebatamento de um futuro de dignidade para as sociedades originárias que, por meio de um grupo cristão respeitoso a suas culturas, tinham uma alternativa de sobreviver frente aos desígnios da conquista e ocupação hispânica.Título: Lo Títul

Título: A expulsão dos jesuítas foi um ato de despotismo de suma injustiça, em que um grupo de aproximadamente 5.000 religiosos foi sentenciado ao castigo do exílio, por um decreto real e sem juízo prévio, incluindo a pena de morte se regressassem. As acusações injustificadas variavam entre os crimes mais atrozes, sem ter escutado a defesa de um só desses acusados. Nem o aberrante Santo Tribunal da Inquisição tivesse procedido de tal maneira, por mais insignificante que tivesse sido a causa. (p. 17-8)

Título:Os jesuítas exilados e os textos apresentados. Características gerais e particulares
Título: Lo Títul
Título: A literatura escrita pelos jesuítas durante sua estada na Itália destacou-se notavelmente. Ela tem suas raízes no estado cultural das diversas províncias espanholas antes da expulsão. De tal maneira que surgem literatos de suma importância que moldaram um tipo de literatura hispânico-italiana. Já havia escritores célebres entre os padres expulsos da Companhia de Jesus, como Lorenzo Hervás y Panduro, Esteban de Arteaga e Francisco Isla. Mas a grande produção estava reservada em grande medida a uma estirpe de homens que desejavam sobretudo dar a conhecer ao mundo sua vida cotidiana missionária que os distinguia.Título: Lo Títul

Título: Na antiga província do Paraguai destacaram-se vários professores escritores, como o saragoçano Joaquín Millás, que trabalhou sobre o valor pedagógico das letras clássicas, ou o filósofo Gaspar Pfitzer que deixou vários tratados de sua especialidade, como o fez também Domingo Muriel. Também o erudito José Sánchez Labrador escreveu numerosas questões de história natural, assim como fez José Jolís com sua história natural da região chaquenha. O inglês Tomás Falkner publicou em 1774 uma descrição da Patagônia, fazendo a primeira descoberta e menção de um gliptodonte. Pois a ciência ocupou um lugar preponderante, e um bom exemplo disso é o padre santafense Bonaventura Suárez, considerado o primeiro astrônomo argentino, ou o santiaguense Gaspar Juárez, brilhante botânico e paleontólogo. Em nossa disciplina histórica, o Pe. José Guevara publicou em 1764 a “Historia del Paraguai, Río de la Plata e Tucumán”, em que se dedica  também à flora. O próprio Iturri, a quem abordaremos aqui em particular, é apreciado como o primeiro historiador argentino, pois, sendo natural de Santa Fe, escreveu uma obra pioneira que permanece extraviada. Não menos importantes foram o húngaro Ladislao Orosz, continuador da célebre obra Decades de del Techo, o conhecido José Manuel Peramás ou Manuel Canelas, que deixou um relato sobre os índios mocovi, e Pedro Juan Andreu, de quem possuímos duas obras impressas e uma inédita sobre a história tucumana e a etnografia chaquenha. José Cardiel nos legou também várias obras de grande interesse, assim como José Quiroga, marinheiro, cartógrafo e matemático; Martín Dobrizhoffer e Florián Paucke, que relatam suas experiências entre os índios abipon e mocovi do Chaco. Muitas destas obras foram publicações póstumas que penetraram o século XIX e ainda profundamente nossos dias. Mas diante de todos estes jesuítas prevaleciam no século XVIII os escritos que desvalorizavam o empreendimento colonizador espanhol e mais ainda a natureza do novo continente e as potencialidades dos povos originários, como principalmente as obras de Cornelius de Pauw, Guillaume Raynal e William Robertson. Os jesuítas foram os primeiros que rejeitaram essas teorias, mas também se dividiram em suas apreciações, entre hispânicos europeus e crioulos, ainda que juntos cultivassem uma ideologia regionalista que aumentou com a melancolia da distância e os sofrimentos que o exílio ocasionou. Destas tendências, a obra de Manuel Peramás, que compara a República de Platão com as reduções guaraníticas (1793), já não tem só caráter religioso, mas evidencia suas ideias europeizadas.l

Título: O desenvolvimento de textos acerca das vicissitudes da expulsão pode ser analisado a partir de várias perspectivas. Mas a mais importante era a de deixar na memória um acontecimento carregado de injustiças, cujas vítimas foram seus autores. Com isso consolidava-se um interesse profundamente apologético. Existem várias dúzias de textos desta tipologia entre os jesuítas hispano-americanos. Alguns escrevem à maneira de diários, outros com elegante prosa, mas todos seguindo uma linha histórica que inicia com uma breve descrição do lugar onde se encontram, passando pela irrupção dos soldados em seus domicílios e depois toda a viagem do caminho para o exílio, com os sofrimentos surgidos neste, obviamente, em seus destinos finais.Título: Lo Títul

Título: Há uma grande quantidade de textos preservados que pudemos localizar, inclusive vários em cada uma das províncias jesuíticas. Assim sobressai da Andaluzia o texto do jesuíta Antonio Pérez de Valdívia, que revelou seus sofrimentos num relato que começa desde o colégio de Jaén, em duas obras que foram consideradas naquele momento injuriosas contra o rei e seus ministros. Da mesma província são também os relatos do Pe. Rafael de Córdoba, enquanto o Pe. Diego de Tienda relata a viagem empreendida desde os portos de Santa Maria e Málaga até Civitavecchia, e enquanto o Pe. Marcos Cano conta os incidentes da viagem à Córsega. Da província jesuítica da Castilha é a famosa e extensa obra do Pe. Francisco de Isla, publicada em Madri em 1882, e o amplo relato de José Cortázar. Da província de Aragão destaca-se a obra em quatro volumes do alicantense Pe. Vicente Olcina, muito semelhante à do Pe. Longo e à do provincial daquela jurisdição, o Pe. Blas Larraz. Mencionamos somente estes poucos entre vários outros, um Amém das obras das quais se sabe efetivamente que foram escritas e depois perdidas. Das províncias de ultramar contamos com dois manuscritos das Filipinas, amplamente estudados por sua riqueza, e dos quais existem várias cópias em diversos arquivos europeus, que demonstram o interesse dos autores por difundir aquelas narrações.Título: Lo Títul

Título: Desde a América chegaram outros relatos, como desde o Colegio Máximo de Quito a obra do Pe. Isidro Losa que a escreveu em Rabena, e somaram-se à tarefa seus companheiros Pe. Recio, Velazco e Uriarte. Da província próxima de Nueva Granada há dois relatos anônimos, um talvez do padre reitor do colégio de San Bartolomé, José Yarza, e o do Pe. Ignacio Duquese, que na época foi estudante do mencionado colégio de Santafe de Bogotá. Do México foram publicados dois, o do jesuíta de Puebla, Antonio López Priego, e o do estudante Rafael de Celis, além da obra inédita do missionário de Sonora, Bernardo Middendorf, e dos historiadores jesuítas novo-hispânicos Francisco Javier Alegre, Francisco Javier Clavijero e Andrés Calvo. Da província do Peru conhecemos o diário do Pe. Francisco Larreta do colégio de Lima, as memórias de Juan José Godoy do colégio de San Pablo, e outra anônima, que se encontram em Florença. Do Chile foram preservados em Munique duas obras do Pe. Pedro Weingarttner, uma sobre a situação dos noviços e a outra, em latim, sobre sua viagem, publicada em francês em 1868 e em castelhano em Chile em 1869.Título: Lo Títul

Título: Finalmente chegamos aos diários da província jesuítica do Paraguai, e nesse sentido cabe deter-nos na figura do padre Hernández que em seu livro antigo sobre os jesuítas expulsos do Paraguai deixou amplamente aberto o caminho da pesquisa na matéria. Grande parte desses textos foi realizada precisamente com estes diários do exílio, e podemos afirmar que conheceu todos eles. Apenas que passou exatamente um século desde que o publicou, e os documentos por ele consultados sofreram várias vicissitudes que inclusive fizeram alguns desaparecer, como veremos particularmente.Título: Lo Títul

Título: Vários são os textos que localizamos, e outros dos quais temos somente notícias, sobre esta temática na província do Paraguai. O muito famoso de José Manuel Peramás, publicado pelo Pe. Furlong em duas oportunidades, uma em 1936 e outra em 1952, embora houvesse várias versões em distintos idiomas que o precedessem, inclusive em castelhano em 1906. O do Pe. Gaspar Juárez, publicado em seus dois fragmentos até agora conhecidos, o inédito relato dos noviços do Pe. Miranda, o do Pe. Flóriano Paucke, presente no Tomo III de sua célebre obra, o de Francisco Javier Iturri, publicado por Furlong em sua biografia, outro inédito e anônimo, escrito por um expulsado do colégio de Tarija, o do Pe. Pellajà desde Chiquitos, o do Pe. Bernardo Castro desde a redução de San José de Petacas, o de Sánchez Labrador desde a dos mbaya e o do Pe. Roca desde o colégio de Belém, que não encontramos, mas recebemos uma transcrição parcial pelo Pe. Pastells.Título: Lo Títul

Título: Estes são os relatos que conhecemos e apresentamos nesta oportunidade, mas sabemos da existência de pelo menos dois outros textos de jesuítas contemporâneos à expulsão, mas não conseguimos localizá-los. São os do Pe. Luis Olcina, intitulado “Casos relativos a las persecuciones de la Compañía”, citado pelo Pe. Hernández do Arquivo da província de Aragão. Embora o Pe. Hernández tenha sido confundido provavelmente com seu irmão Vicente que escreveu – como dissemos – um extenso relato sobre a expulsão desde sua província de Aragão. O outro é o do Pe. Antonio Bustillo, missionário da redução de San Pedro dos mocovi onde se encontrava, citado por Furlong que o encontrou em 1924 no Arquivo de Loyola. (p. 53-58)

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