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Título: Parentes da Selva. Os Guarani Mbya
Título: da Argentina.
Assunto: Cultura guarani, etnografia, antropologia
Autor: Miguel A, Bartolomé
Formato: 15,5x22
Número de páginas: 463
Editora: CEADUC 2009
ISBN: 9789995376253
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Miguel A. Bartolomé

Parientes de la Selva. Los Guaraní Mbya de la Argentina
(Parentes da Selva. Os Guarani Mbya da Argentina)

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Este ensaio pretende analisar as manifestações contemporâneas do processo histórico e cultural vivo por uma das etnias ou parcialidades do grupo etnolinguístico Guarani, o Povo Mbya. Tudo leva a supor que este Povo se desenvolveu ao leste do rio Paraguai, uma região que incluía historicamente também o leste do rio Paraná, ou seja, territórios que agora pertencem ao Paraguai, ao Brasil e à Argentina e que foram o lugar do assentamento da tradição neolítica amazônica, cujos portadoras eram as aldeias agrícolas indiferenciadas guaraníticas. Por isto, mesmo que este estudo esteja dedicado aos habitantes Mbya da atual província argentina de Misiones, não podemos deixar de mencionar constantemente seus compatriotas dos outros países, dos quais estão separados por fronteiras com cuja configuração não contribuíram. Meu interesse analítico é um tanto diversificado, mas responde a um propósito unitário: eu me dedicarei a discutir as origens históricas e culturais recentes, o desdobramento regional, a configuração cosmológica contemporânea, a relação entre sociedade e natureza, a organização social e o contexto interétnico atual do Povo Mbya.

1. Ñande retâ pavê (El país de todos nosotros). Los guaraníes meridionales en un contexto multiestatal
- Dinámica histórico
- Invasión y evangelización
- La emergencia de los sobrevivientes
- Los Mbya Guaraní
- Los Paî-Tavyterâ
- Los Avá-Guaraní (Avá-Chiripá o Avá Katú Eté)
- Los Aché-Guayakí
- Cosmología, naturaleza y sociedad
A história Guarani é milenária, mas sabemos muito pouco sobre a maior parte dela, transcorrida antes da chegada dos invasores europeus. A partir da época colonial, que abrange somente uma décima parte de sua trajetória no tempo, a documentação é muito abundante, e os escritos administrativos e missionais se acumulam em milhares de folhas, deterioradas pelo tempo e questionadas pela visão contemporânea daquilo que significou a “conquista”. Portanto, não tenho a intenção de comentar um manuscrito que ninguém leu nem exercer uma erudição etno-histórica que não possuo; eu me limitarei a procurar expor uma visão sumária do passado, explorando alguns de seus aspectos reiterados, para abordar o presente a partir de uma trajetória.

2. Ogüerojerá: Desplegarse. La etnogénesis del Pueblo Mbya
- Conceptos y contextos
- De ka’ynguá a mbya
- La configuración mesiánica-milenarista
Os xamãs divinizados influenciaram de maneira decisiva a dinamização da expectativa milenarista e messiânica mbya, um fenômeno fortemente presente em toda a tradição guarani. Independentemente da discussão contemporânea sobre questões como, p.ex., se o messianismo guarani foi pré-colonial ou desencadeado pelo colonialismo, endógeno ou exógeno, ou se a noção da Terra sem Males é pré-hispánica ou contemporânea, eu pessoalmente não duvido da existência histórica de uma tradição milenarista e messiânica, embora se possa discutir sua extensão temporal. A prova disto é que todas as rebeliões anticoloniais dos Guarani eram guiadas por ideologias proféticas e geralmente guiadas por xamãs que assumiam a condição de um messias, ou seja, de enviados das divindades. O milenarismo guarani, a crença ou o anseio pela existência de um mundo melhor, tem sido alimentado sempre pela instituição composta por líderes espirituais e rituais, capazes de se comunicar com as divindades e videntes, já que exatamente um de seus dons é a predição do futuro. Também a mitologia atual dos Mbya nos oferece claras evidências de seu caráter de Povo Eleito, embora não possamos saber se isto data da época pré-hispánica ou se desenvolveu no contexto de Mba’e Verá.
- Llegar a ser mbya

3. Ñandé Rapytá: Nuestros orígenes. La historia de los guaraníes mbya de Misiones
- Propósitos y rectificaciones
- Procesos históricos y presencia indígena
- Los sobrevivientes del proceso misionero colonial
É claro que as fronteiras estatais, inclusive a brasileira, eram âmbitos de fluxos múltiplos, sujeitos aos variáveis contextos políticos e sociais que envolviam a população nativa. A yvy, a terra, o verdadeiro país dos Guarani é a selva, ka’aguy, a Floresta Altoparanaense ou Mata Atlântica, cujo rico manto vegetal atravessa as fronteiras e permite a reprodução de sua cultura.
- Una sociedad en tránsito
- La situación transnacional

4. Chiví Retarã: los parientes del Jaguar
- Revisitando la cosmología mbya
- Los textos del discurso cosmológico
- Una cosmogonía selvática
- Nuestro pariente el jaguar
- “Jaguarismo” y antropofagia
- La estirpe de los Tupã
- Las almas y las palabras: nacer en la selva
A cerimônia de ñemongarí é uma das mais importantes para os Mbya; acredito inclusive que ela pode ser considerada a mais importante, já que, sem ela, os habitantes da terra careceriam de almas primordiais que os conectam com o cosmos. É por isto que os membros das aldeias que não têm Opy, que não têm xamãs oficiantes de alto nível, capazes de liderar a cerimônia complexa, veem-se obrigados a se deslocarem a outro teko’há que conte com este precioso recurso, para conseguir que seus filhos acedam à imprescindível relação com os sopros cósmicos vitais. […] A palavra-alma primordial ou divina, ñe’ê porã, habita o corpo humano, precisamente em seus ossos, outorgando-lhe a verticalidade, a capacidade de se erguer, que é uma metáfora frequente para a vida ou a presença e que passa a constituir então a medula de seu ser e o elemento responsável por sua personalidade.
- Cataclismología y desesperanza
- Sol y Luna: los héroes culturales ancestrales
- La mitología de contacto
- La tierra sin males y la migración
- Los símbolos territoriales de la circulación

5. Ñandé Ka’aguy: nuestra selva. Natura y cultura: la construcción social de la selva
- A imagen y semejanza… de la selva
- La vivencia del espacio y del tiempo
- La selva desde un punto de vista occidental
- La selva desde el punto de vista mbya
Desde o ponto de vista mbya, a selva (ka’aguy) é uma complexa entidade múltipla, configurada por uma comunidade vivente integrada por plantas, animais e pessoas. O âmbito vegetal é conhecido tanto em nível horizontal como vertical. Os distintos tipos de comunidades botânicas supõem distintos tipos de articulação social, ideológica e produtiva. Assim como os seres humanos, também as plantas e os animais possuem um arquétipo mítico, inaugurado no tempo das origens, quando os entes fundadores estipularam tanto suas características como a relação que deve ser mantida com ambos. Os animais que existem na selva paranaense são apenas reproduções, “imagens perecíveis” dos animais eternos que habitam no ambá, a morada das divindades. Por outro lado, na selva terrestre habitam os custódios de cada um dos animais, expressão local do complexo universalmente difundido dos “senhores dos animais”. Assim, cada animal tem seu dono (jara) que o protege e representa, e a quem se deve pedir licença para caçá-lo e que define as atitudes necessárias diante de seus protegidos.
- El manojeo agroforestal
- Salud, enfermedad y naturaleza
- Compartiendo lo primigenio: el tránsito entre naturaleza y sociedad

6. Ñandé Tekó: nuestra cultura. Lógicas organizativas en una sociedad de redes
- Las redes asociativa y residenciales
- Aliados o desamparados: las redes parentales
- Las redes de intercambios recíprocos
Uma das manifestações mais claras dos sistemas de intercâmbios expressa-se através da reciprocidade generalizada. De uma forma sutil e aparentemente não estruturada, todos os membros de uma aldeia, de uma teko’há, têm acesso aos alimentos obtidos da agricultura, da caça, da pesca ou da coleta em um determinado momento. As mulheres, e especialmente as mais idosas, são as responsáveis por esta constante redistribuição que obedece às regras das necessidades das unidades domésticas. Também quem visita as aldeias tem direito a um prato de comida; a circulação dos alimentos é uma estratégia social coletiva que tende a impedir a existência de necessitados. O discurso do amor, do mborayhú, é também um discurso solidário contra a presença de pessoas famintas, de pessoas que, por alguma razão, não podem obter recursos e cuja privação seria um foco potencial de tensão social.
- La categoría normativa de las redes: tekó
- Las redes políticas
- Las redes invisibles: el liderazgo chamánico
- Las redes de la vida ritual
- Una sociedad de redes transnacional

7. Mbya y Juruá: la “gente” y los “boca peluda”
- La configuración de la sociedad regional
- El nuevo contexto interétnico
- Construcciones ideológicas
- Procesos de asentamiento y relaciones “cara a cara”
- La tradición misional
- Indigenismo y colonialismo
- Legalidades confrontadas
- Educando a los bárbaros
- La salud imperfecta
- La confrontación territorial y ecológica
- Las movilizaciones etnopolíticas

Bibliografía