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Título: Melià. Escritos de homenaje
Assunto: Cultura guarani, etnografia, linguística
Autor: Ignacio Telesca, Gabriel Insaurralde et al.
Formato: 15x21,5
Número de páginas: 300
Editora: ISEHF 2012
ISBN: 9789996770906
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Ignacio Telesca, Gabriel Insaurralde et al.

Melià. Escritos de homenaje
(Melià. Escritos de homenagem)

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R$ 68,00

Prefácio (Gabriel Insaurralde) (pp: 9-14)
O leit"... O leitor encontrará neste livro onze artigos de alguns amigos. Eles pretendem destacar as contribuições de Melià nas diversas áreas onde ele pesquisou. Os primeiros quatro artigos, de Antonio Caballos, Capucine Boidin, Ana Couchonnal e Hannes Kalisch exploram o âmbito linguístico-cultural a partir de umas reflexões filosóficas; o quinto artigo, de Demetrio Núñez, é testemunhal e abre as portas para o âmbito antropológico com os artigos dos Grünberg, de Margot Bremer, de Jorge Servín e de Graciela Chamorro. Os artigos finais de Milda Rivarola e Ignacio Telesca exploram o âmbito histórico-testemunhal."

1. Melià y el guaraní de la historia. Antonio Caballos (pp: 19-41)
"(...) Não é possível esquecer o avatikyry no meio dos Chiripá. Foi a primeira vez que eu fui para a oração-dança, provei o kaguî, admirei a espiritualidade indígena. Infelizmente, o cansaço das pessoas que estavam com a gente, para minha grande consternação, nos obrigou a voltar à casa no início da noite, quando o meu desejo seria ficar, sem olhar a hora, acompanhando a festa, fazendo minha a expressão que eu ouvi de um deles, que eu poderia repetir: ‘Taha jerokyhápe mandi. Che moakã eterei ko raku ñembo'e” (Eu estou indo para a festa. Muita oração me chegou a animar). Mais uma vez me lembro de nossa conversa noturna com Tomeu, apontando e objetivando as minhas impressões cheias de ardor. (...)”

2. Bartomeu Melià, Paraguai ñe'ê nguéra karai guarani. Capucine Boidin (pp: 45-59)
“(...) Se para Melià o guarani da sociedade colonial era essencialmente monolingue (guarani crioulo e guarani reduzido), então nos perguntamos: quando o espanhol foi introduzido na oralidade? O século XIX implicou a diminuição do culto ao espanhol escrito em favor do guarani escrito, assim, favorecendo um monolinguismo guarani por parte da grande maioria de sociedade paraguaia. Com sua arte consumada da fórmula esclarecedora Melià conclui um estudo recente no Journal de la société américaniste com esta frase: ‘O paradoxo é que, depois de meio século de independência, temos um Estado linguisticamente castelhanizado (espanholizado) em uma nação totalmente guaranizada’. (...) Dono da palavra oral e escrita, em castelhano e guarani, Karai Melià sabe expressar fortemente as contradições e identidades. Seguindo os passos do professor de linguística Bernard Pottier, que costuma chamar os intelectuais para buscarem 'condensar o pensamento até a densidade de uma fórmula', Melià contribui para as ciências sociais com uma série de fórmulas e conceitos que fazem pensar: 'os indígenas estrangeiros em suas terras', 'o guarani dominante e dominado' guarani crioulo / guarani reduzido. (...)"

3. La instancia del guaraní en el inconsciente identitario (o la razón desde la lengua). Ana Couchonnal (pp: 63-79)
"(...) Embora a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) significasse para o país um descalabro radical dos sistemas sociais, culturais e até econômicos, a presença do guarani continuou sendo um elemento vigente de identidade. As mesmas proporções atuais de sua presença são a prova dessa continuidade. No entanto, um novo elemento que entrou ao cenário nacional não deixou de notá-la: o liberalismo. O fechamento histórico operado pela Grande Guerra como sanção de uma identidade liberal com o pano de fundo de modernidade como discurso, e a presença concomitante do idioma guarani como elemento definidor de uma pertença nacional distinta, proporcionam a esta língua uma pregnância particular que torna esse lugar capaz de apontar o funcionamento intrínseco do sistema social como um todo, remetendo-o à heterogeneidade de sua origem e questionando a ordem liberal. (...)”

4. O direito de viver de línguas indígenas, ou, conhecimento Pensando das sociedades indígenas. Hannes Kalisch (pp: 83-100)
"(...) Um dos preceitos arraigados que a sociedade nacional leva em conta quando trata as línguas nativas, minoritárias, destaca a suposta necessidade de descrever e poder escrevê-las. Este preceito pode chegar a um grau que significa a representação escrita de uma língua – a descrição gramatical e a petrificação – como finalidade histórica da evolução da língua humana real e, assim, tenha a possibilidade de existir. A conclusão inversa de tal raciocínio não está muito longe: se uma língua não está escrita; se, por isso, não é uma linguagem real, não tem necessidade de existir e nem é necessário conceder-lhe o direito de viver. (...) Os povos indígenas são privados da possibilidade de uma expressão sustentada em categorias próprias, de uma expressão que conseguem dominar virtualmente, enquanto se legitima a imposição de mecanismos do grupo dominante acima daqueles das sociedades diferentes. Ou seja, somos confrontados com a inclusão contraditória e a proposta perversa de uma inclusão excludente, segundo a qual o relacionamento é entendido não como uma articulação entre sociedades diferenciadas, mas como a imposição unilateral de uma – a nacional – sobre as outras. (...)”

5. Resgatando memórias. Demetrio Nunez (pp: 105-121)
"(...) No interessante número do Suplemento Antropológico de 1973, 'Homenaje a León Cadogán' foi reproduzido o artigo 'El guaraní dominante y dominado'. No livro La Agonía de los Aché-Guayakí historia y cantos, Bartomeu Melià, Luigi Miraglia, Mark e Christine Münzel denunciam o genocídio dos Aché como 'uma agonia que parece não ter fim'. Obras que tinham convulsionado o quefazer dos linguistas e guaranólogos. As posições dos historiadores nacionalistas tinham sido questionadas. Muitos sentiram o desconforto do questionamento. Por muito tempo, o esquema ideologizado do bilinguismo com a idéia arraigada de um colonialismo pacífico e harmonioso tinha servido de base para a propaganda nacionalista de um regime que também não tolerava a dissidência. O surgimento dessas obras mostra como se estava incoando a partida de Melia. Eram crônicas de um exílio anunciado. (...)”

6. Cómo los Guaraníes regresaron al futuro: el nacimiento del nuevo indigenismo paraguayo. Friedl e Georg Grünberg (pp: 125-138)
"(...) Um dos aspectos mais enigmáticos da ditadura militar 'perpétua' que durou 35 anos foi a situação silenciada e negada dos povos guaranis contemporâneos. Embora não houvesse nenhum clube de futebol, alfaiataria, sorveteria, cinema e até mesmo a moeda que não tentasse se enfeitar com o etnónimo guaranítico para dar a si mesmo um aspecto 'autenticamente paraguaio', muito pouco ou até nada se sabia sobre esta população que vivia em mais de 100 comunidades na maior parte da região leste e em uma parte do Chaco Central. Em 1971 irrompeu a Declaração de Barbados 'Pela libertação do indígena' no meio do indigenismo oficial e das missões religiosas que foram atacados por antropólogos, em sua maioria latino-americanos, como resquícios da relação colonial de domínio devido à sua natureza paternalista, impregnada de um etnocentrismo racista e, em alguns casos, como partícipes de repressão, expulsão e extermínio em conivência com latifundiários e militares. Com uma esmagadora documentação sobre o avanço de um etnocídio, justificado por doutrinas de 'desenvolvimento econômico' e 'segurança nacional', chegaram a acabar com toda a atividade missionária para o bem dos indígenas e das próprias igrejas e a se comprometer em apoiar uma luta pela libertação dos povos indígenas, feita por eles mesmos. (...) No início de 1975, Melià e Friedl elaboraram juntamente com algumas comunidades e personagens tradicionais os livros de alfabetização: Ñe’ê renda e Ñande Paî-Tavyterã ñande Paraguáipe. A onda de repressão política do ano 1977 obrigou o projeto a adiar o início das aulas de alfabetização até o início de 1978. Em 1974 foram terminados os trabalhos de localização e levantamento de dados demográficos das 31 comunidades guaranis em toda a região nordeste do país. (...)”

7. Bartomeu Meliá, Hijo del Pueblo. Margot Bremer (pp: 143-166)
"(...) 'O que para mim, pessoalmente, fez muito bem foi o contato e a vivência com os povos indígenas', costuma declarar Bartomeu, reconhecendo a si mesmo como discípulo e aprendiz dos seus mestres indígenas. 'Para conhecer um guarani, deve-se caminhar com ele', resume a sua aprendizagem, recordando as suas experiências com os guaranis na selva e sua integração nas festas e cerimônias sociais e religiosas dessas pessoas. 'Você tem a sensação de que a minha religião, a católica, dificilmente o consegue', confessa ele. Lembra que seu outro grande professor, Leon Cadogan, 'foi o meu verdadeiro Pai espiritual e os trabalhos feitos com ele foram a minha verdadeira universidade...'. Bartomeu sempre viveu em dois mundos: o indígena e o 'moderno', mas com uma opção clara pelos indígenas. Fez ponte e comunicação entre o assim chamado mundo 'civilizado' e o 'primitivo', e nos deixou em dúvida se não é o contrário, ao observar o seu testemunho, ler suas pesquisas e conhecer as suas posturas tomadas em favor do mundo indígena. Ele abriu os nossos olhos para que também nós mesmos, os chamados 'desenvolvidos', pudéssemos aprender muito com esses povos classificados 'nativos'. Gostaria de lembrar aqui as palavras de Bartomeu quando recebeu o prêmio Bartolomé de las Casas de Madrid, em sua observação de que, entre os indígenas 'muitos são pobres, mas não há miseráveis entre eles', destacando sua moderação no uso de recursos e a sua solidariedade, o que é explicado pela 'grande espiritualidade' e 'grande humanidade' deles. Ele deu um passo sério para frente na promoção da cultura do diálogo e de respeito para com aquele que é diferente. (...)”

8. Identidad, ruptura y resistencia guaraní a partir de la visión del mallorquín-paraguayo Bartomeu Melià. Jorge Servin (pp: 171-198)
"(...) Os povos indígenas, que ao longo do século XIX permaneciam isolados, percebiam uma crescente ameaça causada pelo crescimento e expansão populacional, imigração estrangeira e colonização que produziam a exploração dos recursos naturais. Assim, os 'refúgios' dos indígenas foram ameaçados, mas, sobretudo, com a construção da barragem de Itaipu, a paisagem dos matos e tekoha (comunidades) guaranis estavam-se destruindo passo a passo, para dar lugar aos 'novos' colonizadores. Estas sociedades de imigrantes se assentaram nos antigos domínios dos indígenas guarani, precisamente nos locais onde Bartomeu Melià fez os seus percursos. Esta situação desesperadora foi razão suficiente para Melià escrever inúmeros artigos em favor dos povos indígenas, reivindicando seus direitos e exigindo o cumprimento desses direitos, e não apenas atos de caridade, como escreveu na época. (...) Em resumo, será que as comunidades indígenas guaranis e de outras nações podem se sustentar em sua identidade 'profética', como o observou Melià, para resistir às numerosas 'estocadas' produzidas pelo Estado conivente, complacente e de uma economia de mercado esmagador? (...)”

9. Teocosmologías indígenas: El ejemplo de los pueblos guaraní hablantes. Graciela Chamorro (pp: 203-223)
"(...) Nas últimas décadas, os povos indígenas fazem se ouvir novamente e fazem velhas perguntas à teologia e à antropologia, às igrejas e à sociedade. Eles ressurgem não só como cidadãos e cidadãs que lutam para ser 'iguais' aos outros, mas também com uma reserva de alteridade diante da população não-indígena. Neste artigo, destacamos as perguntas que a espiritualidade indígena vem fazendo à teologia cristã que há alguns anos começou também a se preocupar com a nossa casa comum, a Terra, que é a casa de Deus. As características da cosmologia guarani apresentadas aqui trazem certas perguntas para o cristianismo. As imagens da terra como 'corpo', 'sabedoria' e 'palavra' divinas interpelam a nossa visão de mundo e a teologia. Desde o 'pecado de Adão e Eva', não se reconhecia nenhum valor intrínseco dos seres humanos, nem da terra, nem dos outros seres vivos e inertes. A valorização do ser humano residia em Deus e a valorização dos outros seres, no uso deles pelos seres humanos. Dessa forma, ignorava-se a autonomia que esses seres tinham durante o tempo em que a terra não era habitada por seres humanos. A teologia indígena nos desafia para recuperar e atualizar a esquecida tradição cristã. Eu penso concretamente em uma teologia da criação muito combativa do terceiro século, quando um teólogo cristão lutou contra o gnosticismo que pregava o anticosmismo, ou seja, o desprezo da natureza que era considerado má. Em uma tentativa de combater essa doutrina, Irineu imaginou o mundo como a Palavra e o Espírito de Deus feitos corpo. Se essa imagem tivesse sido estabelecida, hoje talvez teríamos um cristianismo ecologicamente mais responsável no cuidado do corpo de Deus, da terra, da água, das florestas, das cidades, do campo, das pessoas e grupos mais vulneráveis da sociedade, dos recursos da natureza. (...)”

10. Melià: sabiduría y política. Milda Rivarola (pp: 227-239)
"(...) Em uma extensa entrevista com o jornal rosalino (Argentina) A Capital, a voz de Melià dependência veste-se de caráter de indignação bíblica ‘a dependência colonial que vivemos agora tem raízes mais profundas, é mais covarde e mais sem vergonha. Agora a questão é, como nunca tinha sido antes, a terra, a formação de novos territórios como sujeitos ao domínio do agronegócio, e a dependência cultural. O golpe do Estado (2012/06/22) é o de Monsanto para assegurar um modelo do país atrasado para o benefício da soja, obviamente, com todas as politicagens colaterais. O retrocesso democrático não significa voltar para o ponto onde nos deixou Stroessner, já sendo ruim, mas para o ponto que tinha sido projetado em 2008 e foi interrompido quando assumiu Lugo.’ E não é o suficiente para o sábio se opor ao golpe parlamentar, ele indaga e denuncia suas causas estruturais: ‘A nova agroindústria está, sobretudo, em mãos brasileiras que formam territórios autônomos e <soberanos>, que diante das dificuldades até mesmo reivindicam sempre a proteção do Brasil. (...) Uma sociedade de mercado precisa de apoio político, e é isso que proporciona o Poder Legislativo e o Judiciário, ou seja, a Corte Suprema de Justiça. E é aquilo que agora está fazendo o Poder Executivo.’ As antigas economias camponesas e indígenas estão sendo destruídas pelo ‘agro-negócio que, em termos de tributação, deixa apenas 0,3 por cento para o Estado; é uma ruína para o próprio país.’ (...)”

11. Blas Garay y el “Prólogo” a del Techo: inventando el Paraguay. Ignacio Telesca (pp: 243-264)
"(...) Em 2005, o CEPAG publicou uma nova edição da Historia de la Provincia del Paraguay de la Compañía de Jesús do jesuíta Nicolás del Techo. A edição estava a cargo de Bartomeu Melià. A versão original em latim era de 1673 e, de fato, foi a primeira história do Paraguai escrita por um jesuíta. A primeira edição em castelhano foi realizada em 1897, e o prefácio foi escrito por Blas Garay. A tradução de Serrano y Sanz foi imediatamente criticada pelo jesuíta Pablo Hernández que chamou a atenção para o grande número de erros na mesma, e também questionou fundamentalmente o prefaciador, Blas Garay. O prefácio apresenta os jesuítas como ‘... uns homens depravados em seus costumes, corruptos e corruptores, que viviam no meio do luxo deslumbrante, cercados por presentes e comodidades próprios de um sibarita, enquanto deixavam abandonados à nudez e miséria os índios infelizes que foram violentamente retirados de suas florestas e atraídos a reduções.’ O que ia se tornar uma polêmica frutífera nunca pôde ser desenvolvido porque em dezembro 1899 Blas Garay faleceu, com apenas 26 anos. O Prefácio de Melià, escrito para a nova tradução da Historia de Del Techo apenas faz uma referência a aquele de Garay. ‘Não merece consideração especial’. A conclusão a qual Garay chega no prefácio, e que acreditamos ser a base da sua argumentação, é que a ideia de redução nem se fundamentou na cultura guarani nem foi importada dos incas, mas foi uma 'invenção deliberada e exclusiva da Companhia', desenvolvida à medida que a necessidade e a experiência aconselhavam realizá-la, ou quando as circunstâncias históricas consentiam com ela. Blas Garay sentiu a necessidade de inventar o Paraguai e deixar de lado os jesuítas na construção do Paraguai. Bartomeu Melià recupera a obra de Nicolás del Techo e a reedita, mas não no plano hagiográfico, e sim levando a entender que o Paraguai não pode ser explicado sem os jesuítas. Afinal, se escrevemos a história a partir de baixo, a partir da história dos excluídos, a história colonial deve ser vista principalmente a partir dos povos indígenas. É impossível, então, pensar a história sem guaranis, sem jesuítas, sem encomenderos. (...)”

12. Bibliografía de Bartomeu Melià (pp: 267-299)
- 1956 “Acerca de la ortografía en guaraní”, en Antonio GUASCH y Bartomeu MELIÀ. El idioma guaraní; su numeración, su ortografía. Buenos Aires, Talleres Gráficos Didot: 11-23.
- (…)
- 2012 k “ISEHF: diálogo de saberes investigación y proyectos”, Acción, 329, octubre: 18-21.