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Título: Paititi. Ensayos y documentos
Assunto: Mitologia dos povos nativos ameríndios,
Assunto: história da América do Sul
Autoras: Isabelle Combès, Vera Tyuleneva (org.)
Formato: 17x24
Número de páginas: 458
Editora: Itinerarios 2011
ISBN: 9789995479671
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Isabelle Combès, Vera Tyuleneva (org.)

Paititi. Ensayos y documentos

Título:Apresentação:

Eldorado, Cibola ou o reino do Preste Juan (João): se estes mitos continuam vivos até hoje, e se tanto “os homens mais sérios” como aventureiros de toda índole continuam buscando-os, é precisamente porque são utopias (u-topias) relocalizadas sem cessar nos lugares mais improváveis. Assim como no caso do Santo Gral, é em sua busca que reside a aventura e não num achado que poria fim à magia. O Paititi faz parte destas lendas sempre redivivas e como tal foi alternativamente objeto das mais cruas avarezas e dos sonhos mais loucos, ou foi relegado ao âmbito de fábulas, sem que historiadores ou antropólogos se dignassem de “averiguar a origem do rumor e da memória” alcançados por este reino. Restituir as dimensões históricas ao império fabuloso é um dos objetivos deste livro.

As notícias sobre o Paititi datam do primeiro século da conquista espanhola do Peru. Convergem para indicar que este nome é o de uma terra ou de um lago ou rio, escondido em alguma parte da selva ao leste de Cusco. Espécies, ouro e âmbar abundam nessa região, cujo rei, segundo algumas fontes, também se chama Paititi. O nome “Paititi” ocorre pela primeira vez na história escrita no ano 1542, no “Relato” dos Quipucamayos em Cusco, como “rio Patite”. Contudo, antes de chegar à pluma do cronista, a palavra deve ter feito umas travessias compridas de boca em boca. Os próprios incas queriam se aproximar desta fabulosa região, sem êxito, segundo uns, ou, segundo outros, encontrando ali antes um refúgio seguro para escapar dos conquistadores espanhóis. Esta última versão do Paititi, que permitia sonhar com a conquista de um novo Cusco na selva, teve uma longa vida e motivou um número infinito de expedições espanhóis em sua  procura, que partiram de Cusco, Santa Cruz de la  Sierra e Cochabamba ou lugares tão distantes como Asunción do Paraguai. Com poucas exceções, todas essas expedições terminaram, cada uma de seu modo particular, em fracassos gloriosos e consumados.

O importante para nós aqui é que os aventureiros e expedicionários espanhóis não foram sozinhos em busca desse reino, mas o faziam acompanhados por guias, escoteiros e intérpretes indígenas que por sua  vez tinham suas próprias versões sobre este lugar mítico. Notícias e lendas indígenas precedem a versão espanhola do Paititi num inextricável emaranhado de informações, mitos e interpretações entre línguas e culturas dos Andes e das planícies. Em outras palavras, há um rosto indígena da “Notícia”, raízes históricas do mito que nos interessam abordar nestas páginas.

Seguindo as pegadas de pioneiros como Nicolás Armentía, Roberto Levillier ou Thierry Saignes, vários pesquisadores perguntam-se hoje acerca das múltiplas facetas do Paititi histórico. Fazem-no a partir da arqueologia, da história ou da antropologia, cada um em sua própria ótica, cada um também com suas próprias conclusões. Assim, este livro reúne vários olhares sobre o Paititi, tentando propor um “estado da questão” da pesquisa sobre o tema. Ele não pode pretender ser totalizador e tampouco completo ou definitivo – o Paititi é o lugar de todas as possibilidades e um tema inesgotável há cinco séculos –, mas oferecer, sim, diversos ângulos de interpretação e diversas perspectivas.

Seguindo a pista desde Cusco, Vera Tyuleneva retraça a cronologia das expedições incas rumo à Amazônia. Os artigos de Gregory Deyermenjian, Jorge Flores e Donato Amado aprofundam este tema, recorrendo os antigos caminhos incaicos até o Anti Suyu e as narrações atuais sobre o tema. Partindo do outro lado, Isabelle Combès relaciona a busca do Paititi com o problema das migrações guaranis rumo ao ocidente. Os três artigos seguintes têm em comum a insistência nos rastros jesuíticos na busca colonial do Paititi. Mario Polia aborda a viagem de Andrés López a partir de um documento conservado em Roma; e Laura Laurencich analisa a utopia do Paititi assim como aparece nos documentos jesuíticos da Coleção Miccinelli, conservados na Itália. Albert Meyers e Isabelle Combès vão atrás dos rastros do cronista Diego Felipe da Alcaya e de seu pai, Martín Sánchez de Alcayaga, autores de um estranho Relato sobre o novo reino dos Incas da selva. Concluindo a parte dos ensaios, Isabelle Combès e Vera Tyuleneva reconstroem a “triste história” do efêmero Paititi de Larecaja, abordando a questão do povoamento étnico do sopé andino desde Apolobamba até o Chapare.

Segue a essa primeira parte um extenso e rico anexo documental que reúne algumas das principais notícias sobre o Paititi, espalhadas nos escritos dos séculos XVI e XVII. Alguns relatos, como o de Juan Álvarez Maldonado, são muito conhecidos e de acesso relativamente fácil para os pesquisadores. Por isso privilegiamos documentos pouco conhecidos ou até mesmo totalmente inéditos até hoje, que serviram também de base para vários dos ensaios aqui apresentados. Para uma leitura mais ágil modernizamos a ortografia dos documentos, conservando apenas a grafia original das vozes indígenas e dos nomes de pessoas e lugares.

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