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Título: Kuruyuki
Assunto: História de povos indígenas da América do Sul
Autor: Isabelle Combès
Formato: 17x24
Número de páginas: 329
Editora: Itinerarios 2014
ISBN: 9789995485948
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Título: Introdução

Título: No dia 28 de janeiro de 1892 em Kuruyuki, no Chaco boliviano, houve uma batalha sangrenta e hoje famosa entre um grande grupo de indígenas Chiriguano e as forças republicanas. As forças eram comandadas pelo General Ramón González, o prefeito de Santa Cruz, e Tomas Frías Azero, o sub-prefeito da província Azero do departamento de Chuquisaca. Por seu lado, os Chiriguano foram liderados principalmente por um jovem que tinha o título de tumpa. De acordo com as fontes oficiais da época, essas batalhas, as escaramuças que as precederam e as redadas que seguiram as batalhas tiveram um saldo de milhares de mortes entre os Chiriguano. Muitos dos sobreviventes foram mortos nos dias e semanas depois; outros foram entregues para os patrões karai (brancos), se não foram enviados para trabalhar nas plantações de seringueiras da Amazônia boliviana. No dia 17 de fevereiro, Güiracota e Ayemoti, os dois principais acólitos do tumpa, foram capturados e executados; o próprio tumpa, capturado mais tarde, foi executado em Sauces (hoje Monteagudo) em 29 de março. E embora nos anos seguintes, continuava o medo de possíveis novas rebeliões chiriguanas, elas nunca chegaram a ser concretizadas: a revolta de 1892 foi a última que os Chiriguano empreenderam contra os brancos.

Título: Oitenta anos se passaram e ninguém realmente estudou este acontecimento. Em 1912, Erland Nordenskiöld mencionou a batalha em apenas algumas linhas e errou de data (2002 [1912]: 156); Alfred Métraux 1931 dedicou-lhe alguns parágrafos mencionando o nome do tumpa: Apiawaiki (1967 [1931]: 34); Branislava Susnik evocou a rebelião de 1892 em duas páginas no final do seu livro (1968: 241-242), sem acrescentar dados novos e anunciando um estudo específico sobre o assunto, que nunca chegou a escrever. Do lado dos historiadores ou cronistas locais de Santa Cruz, em 1910, Castor Franco proporcionou alguns dados dados obtidos pela tradição oral; Mario Gutierrez fez o mesmo em 1961, embora de uma maneira bastante novelesca, e também usando o texto do franciscano Angélico Martarelli, testemunha dos acontecimentos. Até que, em 1972, o historiador de Santa Cruz, Hernando Sanabria Fernandez publicou o seu Apiaguaiqui-Tumpa. Biografía del pueblo chiriguano y de su último caudillo.

Título:Este livro marcou um antes e um depois na historiografia da insurreição de 1892. Desde a sua publicação, os fatos da Kuruyuki são regularmente citados nos livros dedicados à história chiriguana. Em 1992, a Assembléia do Povo Guarani e vários organismos de ajuda organizaram as celebrações do centenário da batalha, a comemoração que tornou-se anual. Assim, Kuruyuki chega a ser a "grande" história e torna-se o emblema e a bandeira da Assembléia do Povo Guarani reafirmando a sua união e sua luta.

Título:Sanabria Fernandez teve o mérito inegável de tirar a insurreição de 1892 do esquecimento. Mas a verdade é que ele foi o único: seja por sua fama local como historiador, seja porque considerava-se que tudo foi dito, nenhum outro pesquisador trabalhou a sério esta questão após a publicação do Apiaguaiqui. Trata-se de Calzavarini Lorenzo (1980), Francisco Pifarré (1989), Thyerri Saignes (1990) ou Erick Langer (2009), todos eles baseiam-se inevitavelmente no livro de Sanabria, e oferecem muito poucos dados novos. Da minha parte, embora eu me dediquei ao estudo sobre as atuais representações da Batalha de Kuruyuki por atores sociais como a Assembléia do Povo Guarani e a Nação Camba (Combes 2005a), não trabalhei anteriormente os próprios acontecimentos de 1892.

Título:Ainda há muito para dizer sobre este acontecimento, como também acerca do livro que levou Kuruyuki de volta para a memória histórica da Bolívia. Embora Hernando Sanabria tivesse dito pouco antes de sua morte, que para escrever seu livro ele se baseou quase exclusivamente na tradição oral, ele trabalhou, sim, com fontes escritas, incluindo documentos de arquivos do ex vicariato de Cuevo e outros, mais numerosos, da Prefeitura de Santa Cruz.

Título:Nem sempre foi possível comparar as citações e afirmações do livro com os documentos originais. Por um lado, vários deles desapareceram desde que Sanabria fez o seu estudo; além disso, só muito raramente o próprio Sanabria indicou quais eram suas fontes específicas. Nem sempre sabemos se os dados apresentados provêm de uma entrevista (tradição oral guarani ou crioula) ou de documentos, ou de ambos; não sabemos se a informação dada é isolado, ou confirmada por várias fontes. Também não há uma valorização mínima das fontes utilizadas, ou seja, de sua confiabilidade: um testemunho oral dos anos 1950, mais de meio século depois da batalha e obtido de um descendente de alguém que estava envolvido e não de uma testemunha direta, tem para Sanabria o mesmo valor que uma carta escrita no calor dos acontecimentos, no próprio Kuruyuki. O resultado é um livro ameno que se lê como uma novela... porque é uma novela em vários sentidos. Uma história sem lacunas ou dúvidas, cuja lógica impecável nem sempre é consistente, infelizmente, com muitos dos documentos da época.

Título:Essa constatação, além das imagens um tanto idealizadas da última rebelião chiriguana hoje circulantes (e que se tornaram uma versão oficial e "politicamente correta" da história) foram a razão que me levou a "revistar" Kuruyuki, a partir dos documentos da época utilizados ou não por Sanabria Fernandez. A minha intenção é principalmente situar a rebelião de 1892 em uma longa história chiriguana, fora da qual ela não pode ser compreendida. Assim, mesmo se os ataques e contra-ataques crioulos ocupam muitas páginas deste livro, a minha atenção se centra, principalmente, sobre os atores indígenas, os Chiriguano, de 1892, mas também sobre os Toba e os Chaqueño cuja presença ou ausência nas útlimas "guerras chiriguanas" é vista como primordial. É verdade que, pela ausência quase total de testemunhos indígenas, fontes utilizados provêm de "o outro lado" (autoridades crioulas, missionários etc.) e refletem outros pontos de vista que aqueles dos índios. Segundo quem escreveu, onde, quando ou para quem, estes documentos jogam diferentes versões e diferentes interpretações de um fato que aconteceu. Neste sentido, a pesquisa histórica se assemelha a investigação policial: a crítica histórica confronta os testemunhas, anota as coincidências e contradições, para se aproximar "à verdade".

Título:Deve entender-se: este texto não pretende apresentar uma imagem completa e, muito menos, definitiva daquilo que "realmente aconteceu" em 1892. Mais humildemente e, talvez, com mais precisão, eu queria simplesmente estabelecer um estado da questão sobre Kuruyuki e me aproximar dos acontecimentos de 1892, mesmo com lacunas ou ambiguidades não resolvidas.

Título: Sumário
Título:
Prólogo
Introducción

Capitulo 1: Las fuentes
Títu1.1. Fondos de archivos
Títu1.2. Otras fuentes

Capitulo 2: Antes de Kuruyuki
Títu2.1. Dioses de carne y hueso
Títu2.2. Sublevación en la república
Títu2.3. La presencia Toba
Títu2.4. La sublevación general de 1874

Capitulo 3: La sublevación de 1892
Títu3.1. El tumpa de Ivo
Títu3.2. Diciembre de 1891
Títu1.2.1. Teorías de la traducción
Títu3.3. Hordas salvajes
Títu3.4. Espantosa carnicería
Títu
Capitulo 4: Los interrogantes de Kuruyuki
Títu4.1. Las causas
Títu4.2. Las cifras
Títu4.3. Los actore
Títu4.4. La derrota

Capitulo 5: Después de Kuruyuki
Títu5.1. El destino de los rebeldes
Títu5.2. La actitud de Tengua
Títu5.3. Los herederos
Palabras finales
Documentos:
TítuDiciembre de 1891
TítuEnero de 1892
TítuFebrero de 1892
TítuMarzo de 1892
TítuAbril de 1892
TítuMayo de 1892
TítuJunio de 1892
TítuAgosto de 1892
TítuOctubre de 1892
TítuNoviembre de 1892
TítuDiciembre de 1892
Títu
Publicaciones de 1892
TítuAngélico Martarelli: Sublevación de los índios chiriguanos
TítuMelchor Chavarría: Expedición pacificadora
TítuMelchor Cavaría: Informe al ministro de GobiernoTítu
Títu
Sigla de Archivos
Títu
Bibliografía
Títu
Mapas
TítuMapa 1. La Chiriguanía de finales del siglo XIX
TítuMapa 2. Croquis de ubicación de los principales lugares mencionados
TítuMapa 3. Pilcomayo. Mapa de Daniel Campos, 1883
Títu
Tabla de cuadros
TítuCuadro 1. Documentación de la prefectura de Santa Cruz sobre Kuruyuki
TítuCuadro 2. Muertos chiriguanos en Kuruyuki
TítuCuadro 3. Comparación entre el número de rebeldes y de las fuerzas del hombre
TítuCuadro 4. Número aproximado de chiriguanos en las misiones a vísperas de 1892
TítuCuadro 5. Comunidades chiriguanas rebeldes en 1892
Títu
Tabla de figuras
TítuFigura 1. Jornaleros indígenas de la misión de San Pascual de Boicovo
TítuFigura 2. Misión de Santa Rosa de Cuevo, desde el lado Este de la plaza
TítuFigura 3. La colonia de Jumbitti de Cuevo y la capilla de San Juan Bautista de los mestizos de Cuevo
TítuFigura 4. Misión de Santa Rosa de Cuevo, vista desde el Norte
TítuFigura 5. Genealogía de Bernardino Güiracota y José Ignacio Aireyu según Sanabria Fernández
TítuFigura 6. Genealogía de Bernardino Güiracota según Thierry Saignes
TítuFigura 7. Genealogía de Bernardino Güiracota y José Ignacio Aireyu
TítuFigura 8.Tipos chiriguanos. El rey o gran cacique de los chiriguanos de Cuevo y su familia
TítuFigura 9.El jefe chiriguano Mandepora, Macharetí
TítuFigura 10. Misión de San Buenaventura de Ivo, desde la colina Oeste
TítuFigura 11. El padre Doroteo Giannecchini, OFM
Títu

Isabelle Combès

Kuruyuki

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