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Título: Gramática y vocabulario de los Chiquitos (s. XVIII)Título:
Assunto: Missões jesuíticas, etno-linguística
Autor: Sieglinde Falkinger, Roberto Tomichà (Eds.)
Formato: 17x24
Número de páginas: 319
Editora: Itinerarios 2012
ISBN: 9789995479695
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Sieglinde Falkinger, Roberto Tomichá (Eds.)

Gramática y vocabulario de los Chiquitos (s. XVIII)
(Gramática e vocabulário dos Chiquito (s. XVIII)

Título: Introdução:

Título: A Gramática da língua dos Índios chamados Chiquito e o Vocabulário da língua dos Índios chamados Chiquito, que publicamos aqui pela primeira vez e em versão original, são duas obras de um missionário jesuíta exilado nos Estados Pontifícios da atual Itália, onde encontrou refúgio depois da expulsão da Companhia de Jesus das colônias espanhóis em 1767. Como o expressa o próprio autor no Prólogo, tanto para preencher seus “longos intervalos de ociosidade” como “para que não se apague totalmente o que aprendi em sete anos de estudo daquela língua, deu-se ao trabalho de pôr em ordem, do melhor modo que sabia e que as circunstâncias permitiam, o arrevesado daquela língua e dar algumas regras que pudessem servir aos que vêm depois” (f. 2). Acrescenta que a língua dos Chiquito “é de uma grande arte e admirável composição, cuja harmonia e beleza em explicar suas ideias foram admiradas pelos missionários mais sábios e sujeitos inteligentes de outros idiomas” (f. 2), como os jesuítas Jaime de Aguilar e Ignacio Chomé, que, “admirado da conexão e arte da [língua] chiquita, chegou a dizer que julgava que nem um anjo era capaz de formar tão belo idioma” (f. 2v).
Título: A obra aqui apresentada foi escrita depois da expulsão dos jesuítas de todos os domínios espanhóis em 1767 e talvez depois da extinção da Companhia de Jesus em 1773. Enquanto os europeus de outras nações voltaram a seus países de origem, os espanhóis e portugueses se refugiaram no Estado do Vaticano, e vários se encontravam no norte da Itália.
Título: Depois da extinção da ordem, os ex-jesuítas foram obrigados a se integrar na vida religiosa e civil da Itália. Seus conhecimentos e experiências abriram novos horizontes para a ciência na Europa, e na Itália da época, o interesse americanista estava em seu auge: o ambicioso projeto de Hervás pretendia nada menos que a classificação e descrição de todas as línguas do mundo. Para isto, utilizava as informações dos jesuítas expulsos, que tinham conhecimento de línguas até então desconhecidas na Europa. Hervás mantinha relações com Wilhelm von Humboldt, então embaixador prussiano em Roma, a quem permitiu copiar muitas obras de sua coleção. Enquanto Hervás procurava “diferenciar povos e nações através de suas línguas”, Humboldt comparava as línguas segundo a fonética, a gramática e o léxico (Zimmermann, 2001: 647, 652-653).
Título: Colecionar gramáticas das línguas americanas estava na moda entre os nobres e significava uma  pequena entrada adicional para os ex-jesuítas que viviam numa situação econômica insegura.

Título: As Missões de Chiquito
Título: Sob a condução dos jesuítas originou-se um sistema cultural vinculador para os diferentes grupos étnicos que foram instalados entre os Chiquito. O método missionário abrangia todas as esferas vitais, difundia a religião e colocava as bases do sistema econômico e da estrutura social.
Título: A população das reduções jesuíticas estava composta de diferentes (parcialidades) e famílias linguísticas. Como indica o provincial daquela época, o padre Francisco Burgés, só nos primeiros quatro povoados integraram-se os seguintes grupos: “piñocas, quibiquías, tubasis, penoquíes, tabicas, guapas, taus, guadores, curuminas, coes, guatos, curucones, borasíes, sarabes, boros, penotos, taotos, curicas, tamacucas, chamoros, taniquipas, pequicas, quimes, subercias, paramíes, simiquíes, taucas, payores e outros”. De fato, os que foram “reduzidos” nas Missões de Chiquito foram pelo menos 75 grupos diferentes, pertencentes a seis famílias linguísticas distintas (Tomichá, 2002: 654). Para evitar conflitos, as parcialidades viviam em bairros separados que receberam os nomes próprios de cada uma delas (Moreno, 1973 [1888]: 443).
Título: Os Chiquito já evangelizados desempenharam um papel importante para integrar nas reduções grupos que falavam outros idiomas e assim acelerar o aprendizado da língua. Mas não se estabeleceu uma norma absoluta; a ênfase foi a educação dos meninos nas escolas. Para o ensino estavam autorizados “o maestro de capela e seu segundo, o maestro do canto”, que iniciavam os meninos na leitura, escritura e cópia das notas musicais (D’Orbigny , 2002 [1833]). O método da acomodação, desenvolvido e praticado pelos jesuítas, requeria “certa adaptação do maestro ao pensamento, às ideias e à forma de sentir de seus pupilos […]. Procura partir daquilo que já existe, para facilitar assim a compreensão dos índios, e se serve de um método de ensino que corresponde à facilidade de compreensão, ao nível formativo do respectivo aluno” (Becker-Donner, 1966: 863). Os indígenas Chiquito aceitaram o modelo jesuítico e se converteram rapidamente em co-missionários dos jesuítas (ver Tomichá, 2002: 605). Nosso autor confirma que “amavam seus missionários, zelosos como estes de conquistar infiéis para Deus, os quais adotam depois como filhos, e os amam como os próprios, e podiam servir de exemplo aos cristãos da Europa”.

Título: A lingua geral
Título: Devido à variedade de idiomas diferentes percebia-se a necessidade de escolher uma como “língua geral”: “…e nestas nossas reduções de Chiquito há neófitos de três e quatro línguas. Com tudo isto, para eliminar este impedimento à santa fé, temos procurado que todos os índios aprendam a língua dos Chiquito” (Fernández, 1726: 45). Aprender uma língua geral era também obrigatório para todos os missionários. Na medida do possível, o Evangelho deveria ser pregado nos idiomas autóctones: sem proibir expressamente outras línguas, as metas eram a unificação e formação de uma nova identidade comum, com uma só religião e uma só língua.
Título: O processo de assimilação das línguas minoritárias foi lento. “Quando Alcides d’Orbigny visitou em 1831 as antigas missões, ele encontrou poucos índios nas diferentes populações que ainda falavam seu idioma original (à parte do Chiquito) ou recordavam ter falado outro idioma em outros tempos” (Riester, 1967/68: 175). Na atualidade encontram-se alguns traços e resquícios destas línguas nas variantes regionais, tanto do chiquitano ou bésiro como do castelhano. Certas características e os acentos diferentes entre os povos têm também sua origem na diversidade da população das missões jesuíticas. Em todo caso pode-se atribuir a sobrevivência da língua chiquitana ao fato de que as rezas e a doutrina, convertidas em símbolos da nova identidade, se transmitiam somente neste idioma.
Título: A regulamentação linguística – o uso de uma língua geral, excluindo assim o idioma espanhol – deu mais tarde motivo para a crítica feita aos jesuítas de não terem preparado os indígenas para a confrontação com os brancos. No entanto, neste ponto é preciso considerar que os jesuítas não podiam prever o final violento de sua experiência e que, dada a variedade linguística, uma linguagem usual em comum era necessária.

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