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Título: Chiquitos en las anuas de la Compañía de Jesús (1691-1767)Título:
Assunto: Missões jesuíticas, História da América do Sul
Autor: Javier Matienzo et al.
Formato: 17x24
Número de páginas: 458
Editora: Itinerarios 2011
ISBN: 9789995479633
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Javier Matienzo, Roberto Tomichà, Isabelle Combès, Carlos Page

Chiquitos en las Anuas de la Compañía de Jesús (1691-1767)
(Chiquitos nas Ânuas da Companhia de Jesus (1691-1767)

Título: Introdução:

Título: Falar da província jesuítica do Paraguai evoca, inevitavelmente, as missões estabelecidas pela Companhia de Jesus entre os Guarani. Menos conhecido é o fato de que outros colégios e missões pertenciam no período colonial a essa mesma província paraguaia, entre eles o Colégio jesuítico de Tarija e as missões de Chiquitos no território da atual Bolívia.
Título: Os jesuítas de Tarija, com presença permanente na região desde 1690, iniciaram seus trabalhos de evangelização entre os indígenas chiriguanos do sopé andino com pouco êxito. Entre 1690 e 1735 conseguiram estabelecer um total de cinco reduções que, no entanto, foram abandonadas gradualmente, salvo uma que subsistiu até a expulsão da Companhia. Contudo, o Colégio de Tarija continuou seus trabalhos em outros âmbitos e foi particularmente solicitado pelas autoridades de Santa Cruz de la Sierra, para responder às solicitações dos indígenas chiquitos acerca do estabelecimento de reduções em seu território. Assim se iniciou em 1691 a aventura jesuítica na Chiquitania que marcou indelevelmente essa região em seus aspectos espirituais e políticos, bem como na configuração étnica de suas populações. Até a expulsão dos jesuítas de todos os domínios espanhóis, decretada em 1767 e realizada em Chiquitos em 1767-68, os padres estabeleceram um total de onze aldeias na região e reuniram nelas mais que vinte mil indígenas.
Título: Em Tarija, os contatos dos religiosos estabeleceram-se sobretudo com os chiriguanos, conhecidos por sua tenaz oposição ao avanço da colonização espanhola e conseguiram também, embora numa escala muito menor, contatos com povos mais propriamente chaquenhos, como os Mataguaio e os Toba. Em Chiquitos, porém, defrontaram-se com uma multidão de “parcialidades” indígenas de línguas e costumes diferentes; suas cartas e informes abundam de nomes étnicos muitas vezes pouco identificáveis: nessa região conviviam povos que falavam arawak como os Chanê, guarani como os Itatin ou Guarayo, otuqui, zamuco, chiquitana, sem falar de outros idiomas ainda que hoje são desparecidos. Por ser o idioma mais difundido, os padres adotaram o chiquito ou chiquitano como “língua geral”, e assim costuma-se designar sob o nome de “chiquitos” tanto grupos linguisticamente aparentados (de fala chiquita) como o conjunto de seus habitantes.
Título: A atuação dos jesuítas em Chiquitos abrangeu 75 anos; nesse espaço de tempo sucederam-se jesuítas europeus e crioulos que cuidavam da evangelização de seus neófitos e de sua subsistência material, que exploraram outras zonas vizinhas como o Gran Chaco, conheceram os indígenas da região e aprenderam sua língua. No caldeirão das missões formou-se o povo chiquitano tal como o conhecemos hoje, herdeiro de uma multidão de etnias e línguas diferentes que conviveram nesse território.
Título: Essa breve, mas formidável experiência é atestada também na formidável quantidade de documentos que a Companhia de Jesus nos legou. Entre eles destacam-se as assim chamadas Cartas Ânuas, reunidas neste volume junto com mais de cem documentos complementares até hoje inéditos e dispersos em arquivos e centros de documentação da Alemanha, Argentina, Bolívia, Brasil, Espanha e Itália.
Título: Com esta obra, Scripta Autochtona, em sua intenção de promover o estudo da cultura dos povos chaco-amazônicos, pretende trazer um trabalho de consulta obrigatória para qualquer estudo sobre as antigas reduções de Chiquitos e de  seu reconhecido legado cultural. (pp. 1-6)


Título: Carta Ánua das missões de Chiquitos

Meu Padre Provincial Pedro Andreu:

Em virtude da patente que me enviou vossa reverência de Visitador destas missões de Chiquitos, saí à visita de todas as aldeias e caminhei umas 260 léguas. E é incrível o grande consolo que vi com meus próprios olhos, os grandes trabalhos de todos os padres missionários, instruindo e cuidando destes pobres índios, e a muita virtude e religião que encontrei em todos eles, havendo muitos de grande penitência e mortificação. Suas aldeias observam a mesma distribuição observada nos colégios, tendo sua oração antes do amanhecer, a missa e exames à sua hora, e no final, a leitura espiritual nas sextas-feiras e os casos nas segundas, como em todos os colégios.
Também admirei a sujeição e reverência dos índios aos padres, sempre prontos para o que se lhes manda, sujeitando-se ao castigo quando caem em algumas faltas, sem que disto se excluam os capitães e corregedores. E de verdade é de admirar ver como se sujeitam e obedecem aos padres jovens párocos que entraram novos nos curatos, sendo alguns não tão discretos nos castigos; não obstante, os pobres índios com humildade e sujeição se lhes rendem. Têm em suas igrejas quase as mesmas funções e talvez mais que nós temos nos colégios. Os meninos têm sua reza três vezes ao dia. Aos domingos reza toda a aldeia todo o catecismo, eles ouvem a fala de algum padre e a missa cantada com bastante solenidade. Em todas as grandes festas de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, eles têm na véspera o Salve e a ladainha, e no dia mesmo, sermão com missa solene. E todas estas ocasiões tornam-se célebres pelas boas músicas registradas em notação musical com órgãos, violões e violinos, que aumentam em parte a devoção dos índios, sem que faltem nessas festas muitas confissões e comunhões de um e de outro sexo, ainda de moças e rapazes, que é coisa para louvar a Deus e que os padres recém-chegados admiram. (p. 377)

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