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Título: Las tierras bajas de Bolivia:
Título: miradas históricas y antropológicas)Título:
Assunto: Análises etnohistóricas e antropológicas -
Títul o- terras baixas de Bolívia, História da América do Sul
Autor: Diego Villar, Isabelle Combès (org.)
Formato: 14,5x20,5
Número de páginas: 442
Editora: El Pais 2012
ISBN: 9789995455897
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Diego Villar / Isabelle Combès

Las tierras bajas de Bolivia: miradas históricas y antropológicas

Título: Sumário:
o:
Contatos entre terras altas e terras baixas
Título: O Paititi nas planícies de Mojos – Vera Tyuleneva
Título: Incas na selva? Para tecer uma etno-história das terras baixas da Bolívia – Isabelle Combès
Título: Identidades escondidas: mudança cultural e linguística em quéchuas migrantes para as terras baixas da Bolívia
Título: Leonardo Martínez Acchini
Título: Fundamentos etnográficos para uma etno-história comparativa dos vales orientais do maciço do Ausangate:
Título: distrito de Marcapata, departamento de Cuzco, Peru, 1821-1960 – Pablo F. Sendón
Título: O Tuichi ou o deslocamento de uma fronteira – Francis Ferrié
Título:
Estudos regionais
TítAmazônia
Título: O boom de caucho na Amazônia boliviana: encontros e desencontros com uma sociedade indígena (1869-1912)
Título: Lorena Córdoba
Título: Tsirihaicato: notas sobre o humor chacoboDiego Villar
Título: Os Takana: representações dos sistemas de organização sociopolítica (1986-2010) – Zulema Lehm
Chaco
Título: Os homens Tumpa e as relações fronteiriças entre Chiriguano e hispano-americanos no final do séc. XVIII
Título: Roseline Mezacasa
Título: Notas sobre a hierarquia inter-étnica nos engenhos de açúcar do noroeste argentino – Federico Bossert
TítChiquitania
Título: População indígena e diversidade cultural em Chiquitos (séc. XVIII). Algumas considerações – Roberto Tomichá
Título: Caminho missioneiro em Chiquitos – Aloir Pacini
Título: Extração, donos e patrões entre os Chiquitano do Vale do Alto Guaporé, fronteira Brasil-Bolívia – Verone Cristina Silva
Título:
Problemas atuais e estado da pesquisa
Título: Descendentes de japoneses em Santa Cruz – Yvonne Siemann
Título: Povos indígenas em isolamento voluntário na Amazônia boliviana e no Chaco boliviano e paraguaio – Bernd Fischermann
Título: Não olhem para a câmara! – Jürgen Riester
Título: Estado da pesquisa sobre os povos indígenas no departamento de Santa Cruz – Paula Peña Hasbún


Título: Introdução:

Título: Obra de antropólogos e historiadores de diversas procedências, os estudiosos aqui reunidos se referem ao problema das terras baixas bolivianas num sentido amplo: além da Amazônia, do Chaco e da Chiquitania contemplam-se também as zonas limítrofes de Peru, Paraguai, Brasil e Argentina, cujas populações preservaram relações históricas com suas homólogas bolivianas, assim como também as regiões de vales e yungas (vales cruzenhos, yungas de La Paz, o Chapare etc.) que foram e continuam sendo zonas de contato entre as planícies e os Andes.
Título: É oportuno perguntar se esses estudos permitem apreciar em medida justa o estado atual da pesquisa antropológica e etno-histórica sobre as terras baixas. Em que sentido pode se dizer que uma série de comunicações com tema livre, sem coordenadas prévias, permitem chegar a alguma conclusão razoavelmente séria sobre o estado da questão?
Título: A primeira constatação que se impõe é a natureza artificial, historicamente construída, das fronteiras geográficas, sociais e étnicas. Por considerar as terras baixas bolivianas um bloco homogêneo, talvez o caso mais dramático seja sua oposição global com as terras altas. Apesar de sua relativização nos últimos anos, persiste no imaginário coletivo e inclusive nas próprias pesquisas científicas uma dicotomia recorrente entre o alto e o baixo. A realidade parece ser outra. O exame das fontes revela que, durante os séculos XVI e XVII, a zona foi um caldeirão pluri-étnico no qual confraternizaram grupos muito heterogêneos. As fronteiras eram ignoradas, modificadas ou deslocadas por sucessivas ondas migratórias durante as colonizações pré-incaica, incaica, espanhola e inclusive republicana. As fronteiras e a recomposição dos mapas étnicos regionais mudam também devido a pressões globalizantes como a influência absorvente do mercado e suas flutuações. A inserção no mercado não é a única pressão globalizante. No contexto republicano, a paulatina imposição do paradigma nacionalista supõe o estabelecimento – ou a superposição – de novas jurisdições e fronteiras.
Título: Quando se analisa a história das populações indígenas das terras baixas, a segunda constatação que se impõe é que muito raramente se chega a escutar suas próprias vozes. Nosso conhecimento é indireto, filtrado por um conjunto heterogêneo de atores sociais como conquistadores, missionários jesuítas, franciscanos, protestantes, evangélicos, funcionários coloniais etc. A mediação não implica, ou não implica necessariamente, que esse conhecimento deixe de ser válido, mas ele pode sê-lo somente sob a condição de aplicar uma exegese crítica da dinâmica – às vezes deliberada, às vezes inconsciente – das ênfases, silêncios e opacidades das fontes.
Título: Os agentes mediadores não só filtram as vozes das populações autóctones. Também contribuem a forjar o imaginário das mesmas no seio da sociedade mais ampla. Dos insociáveis “chunchos” que ameaçam os confins andinos até os elusivos “selvagens” coloniais, dos “bárbaros” irreduzíveis até os “povos originários” que merecem atualmente toda consideração moral e jurídica, há uma sedimentação de discursos, conceitos prévios e estereótipos cuja genealogia precisa ser explorada.
Título: Outra tendência generalizada dos textos é que renunciam a circunscrever o estudo de grupos isolados, com contornos bem definidos. Não se trata, ou não se trata somente, de uma rejeição das unidades sociais discretas em relação ao uso estruturalista ou barthiano que enfatiza as relações e as relações entre essas próprias relações. Trata-se também de aumentar o foco analítico e de mudar a escala da observação: do particular ao regional, das “tribos” e “etnias” às alianças, às confederações e às redes de intercâmbio – e em alguns casos, inclusive, ao que a etnologia americanista chamou de “áreas culturais”. No nível sociológico, o fenômeno não só obriga a ampliar a perspectiva analítica, mas permite apreciar ao mesmo tempo a aparição de propriedades emergentes: na articulação entre o local e o global, o todo é mais do que a soma das partes.
Título: Se fosse para destacar uma característica de conjunto das investigações aqui compiladas, poderíamos talvez mencionar a riqueza da documentação diacrônica. Devido à ampla história de exploração e evangelização das terras baixas a partir de diferentes frentes geográficas (Charcas, Cuzco, Santa Cruz, Mojos, Asunción, Tarija etc.), existe um corpus considerável de fontes escritas que permite apreciar o processo de sua colonização durante um longo período.

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