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Título: Eu, terra do meio
Subtítulo: Corpo de mulher e leitura popular da Bíblia
Assunto: Leitura popular da Bíblia
Ano: 2007
Autor(a): Maria Soave Buscemi
Apresentação: Nancy Cardoso Pereira
Formato: 16x23
Número de páginas: 160
Editora: Nhanduti
Edição: 1
ISBN: 9788560990016
R$ 38,90

A Terra do Meio é uma área de floresta tropical amazônica relativamente intacta, que se estende por 8,3 milhões de hectares entre os Rios Xingu e Tapajós, no estado brasileiro do Pará. A Terra do Meio faz fronteira com os territórios indígenas Arara, Kararaô e Cachoeira Seca do Iriri, ao norte; com a estrada Cuiabá-Santarém, a oeste; com o Rio Xingu, ao leste; e com as terras indígenas Kayapó, ao sul.

O terreno montanhoso e a presença de comunidades indígenas que protegem agressivamente e afetivamente suas terras ajudaram a manter a região relativamente intacta. A Terra do Meio se tornou um refúgio para animais selvagens e pássaros, à medida que o desmatamento se aproximava de suas fronteiras – um processo que começou há algumas décadas, através da construção de três grandes estradas ao norte, leste e oeste das terras indígenas.

As características de solo e de relevo, somadas à intensidade das chuvas na região, indiciam uma diversidade biológica elevada associada à diversidade dos modos de vida das populações tradicionais na região.

Existe uma outra Terra do Meio. É a terra de Messapia, que, em grego, significa “a terra que está no meio do mar”. Um pedacinho de terra lambido por todas as partes pelo mar Mediterraneo. Um pedacinho de Terra do Meio que, desde sempre, acolheu gente de todas as terras, etnias e culturas. Gente com seus contos, cantos e histórias.

Assim também esta Terra do Meio de Maria Soave: além da expressão da sensibilidade e do compromisso com a defesa da terra e dos seres, esta publicação reúne experiências e espaços comunitários de leitura bíblica de resistência, relativamente intactos.

Identificada com os grupos e as comunidades que não se deixam cansar ou vencer por uma bibliolatria triunfalista, Soave reúne pássaros e animais narrativos, espécimes raras e necessárias que respiram e se recriam protegidas pela montanhosidade do método da leitura popular da Bíblia. O método e sua espiritualidade.

A Bíblia deixa de ser “ grande rodovia” que corta de leste a oeste a experiência dos grupos para se oferecer como umidade teo-poiética preservadora de diversidade hermenêutica: exegeses conhecidíssimas convivem com abordagens raras e selvagens. Histórias de cura, histórias de morte e vida, histórias de territórios intactos de beleza no coração do povo.

Nancy Cardoso Pereira

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Maria Soave Buscemi

Eu, Terra do Meio. Corpo de mulher e leitura popular da Bíblia

Vivo simplesmente ouvindo e contando histórias. A Vida vive me ensinando, isto é, colocando em meu corpo, tecido de alma, pequenas sementes de esperança, a frágil verdade de que ser contadora de histórias é uma forma de encantamento pela Vida mesma. Sei que somos uma Humanidade feita de Palavra. Somos textos, tecidos vivos em relação. Nossos contos e auto-contos, nossos textos de relação, são o espaço para a construção de relações recriadas, de “outros mundos possíveis”.
Percebo, nos caminhos e geografias percorridos pela “alma-corpo-alma”, sobretudo de mulheres empobrecidas que fazem leitura popular e feminista da Vida e da Bíblia, que, através dos auto-contos e da escuta de nossos contos coletivos, nós mulheres vivenciamos um início de uma experiência místico-espiritual, experiência esta de possibilidade de cura entre nós com a Humanidade e a Terra.

(Eu, Terra do Meio, 80-81)

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