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Olhe para dentro
Leia os capítulos I e II!

Título: Viver e arriscar
Subtítulo: Estudos interreligiosos comparativos a partir de uma perspectiva asiática
Assunto: Diálogo interreligioso
Ano: 2008
Autor: Aloysius Pieris
Apresentação: Monja Coen
Formato: 14x21
Número de páginas: 128
Editora: Nhanduti
Edição: 1
ISBN: 9788560990030

Alguém pode perguntar por quê é importante traduzir um texto, nascido no contexto asiático, para um público brasileiro. A América Latina e especialmente o Brasil foram os iniciadores da assim chamada teologia da libertação que enfatizou a divisão estrutural entre os ricos e os pobres. A teologia da libertação deu origem a “comunidades eclesiais de base”, e apoiou-as na busca da transformação em prol da justiça. Muitos teólogos da Ásia e da África usaram a mesma metodologia teológica no desenvolvimento de suas teologias contextuais, de libertação. Especialmente em alguns países da Ásia, onde a pobreza é completamente desastrosa para as pessoas, teólogos são desafiados a lidar com isso num contexto interreligioso. A religião cristã na Ásia encontra-se quase sempre numa posição minoritária e é confrontada com uma espiritualidade profundamente arraigada de outras religiões de um tempo mais antigo que o próprio cristianismo. A religião cristã está aprendendo devagar a cooperar com outras; sabe que cristãos são parte de uma busca mais ampla por justiça e compartilham isso com a sabedoria do budismo, do hinduísmo e de religiões mais antigas. A situação religiosa na América Latina está mudando rapidamente: uma crescente migração religiosa dentro ou fora da religião cristã, o crescimento de tendências fundamentalistas e exclusivistas. Estas mudanças exigem tanto vigilância como uma espiritualidade e reflexão teológica sempre reformadoras: também na América Latina o cristianismo pode aprender da humilde posição de teólogos da Ásia e assumir a busca por um diálogo genuíno sem sentimento de superioridade ou pretensões de possuir a verdade absoluta.

O livro Viver e Arriscar não pode ser lido sem levar em conta o contexto em que foi escrito. É um contexto que pode ser facilmente reconhecido em muitas outras partes do mundo: problemas étnicos, violência, pobreza, globalização econômica, internacional e o papel que as religiões podem ter nesta constelação. Todos estes fatores constituem problemas no mundo inteiro. Ao mesmo tempo, estes fatores são os lugares onde deve ser encontrado o ponto de partida para novas soluções. Esse é o contexto que dá forma ao livro. O autor, Aloysius Pieris, é um sacerdote jesuíta, cingalês que vive no Sri Lanka – uma bela ilha, pendurada como uma pérola no extremo sul da Índia. O Sri Lanka é um país predominantemente budista (70% da população), onde cristãos são uma minoria (7%). A vida interreligiosa é uma realidade diária.

Nos três primeiros artigos descreve a sua própria vida num contexto interreligioso, e o seu desenvolvimento acadêmico. Essa descrição é articulada também nos outros artigos. Pieris é uma pessoa estudiosa e de compaixão, interessada nas semelhanças e diferenças entre as religiões cristã e a budista em seus conceitos teológicos e nas interpretações das raízes originais destas religiões. Na sua pesquisa por um diálogo entre as grandes religiões como cristianismo e budismo, ele dá primeiramente um grande ênfase às assim chamadas religiões cósmicas que deram origem a atuais religiões institucionalizadas: as práticas com características ecológicas, necessárias à sobrevivência primária da maioria das pessoas; a espiritualidade fundamentada na dependência do divino; a tradição narrativa. Essa realidade espiritual de multidões que vivem em religiões institucionalizadas, mas estão inseridas em religiosidade cósmica, é tampouco estranha para a situação latino-americana.
Lieve Troch

Cristianismo e Budismo se reencontram neste livro de Pe. Aloysius. Um reencontro de respeito e harmonia, com o propósito comum de beneficiar a todos os seres. A reflexão principal é sobre o papel das religiões e dos religiosos na transformação social, plena de justiça e de cuidado amoroso. Diálogo inter religioso entre Budismo e Cristianismo, onde o encontro transforma a um e ao outro. Não com o intuito de conhecer para poder melhor se inserir e forçar a sua tradição sobre a outra. Mas no verdadeiro sentido de conhecer, apreciar, dar as mãos e juntos agir para salvar, libertar tanto os oprimidos como os opressores, libertar das amarras da ignorância, da intolerância, da manipulação, do desrespeito ao diferente. Libertar das discriminações, preconceitos, das guerras, das injustiças, dos abusos e dos diabos comuns às duas tradições.

Um Cristianismo que não se impõe como verdade absoluta e única salvação, mas que se propõe a cuidar dos pobres e dos oprimidos, que se propõe a compreender o outro, respeitar suas tradições e ao mesmo tempo oferece o olhar de Cristo, puro e translúcido, sobre culturas asiáticas. O Budismo do Sri Lanka o acolhe e o leva a presenciar uma cura espiritual em um vilarejo, onde monges dançam mascarados como vários demônios, demônios que perdem todo peso e domínio sobre as pessoas, quando seu simbólico bailarino – caricatura engraçada – faz com que perca seu cunho de terror.

Padre Aloysius, neste trabalho de religião comparada, coloca mais uma irmã junto às filhas da Esperança de Agostinho – o humor. Assim, a Esperança precisa da Ira, sua primeira filha – a indignação frente aos abusos de poder, frente às injustiças sociais. Indignação que se torna uma alavanca de transformação do mundo. Mas essa transformação só existe se houver a Coragem – a segunda filha da Esperança. Padre Aloysius então sugere a terceira filha – o humor, que aprende dos monges budistas. Humor para transformar o mundo. Lembrando a história de Sidarta, o jovem que se tornará Buda, que aprende a rir de si mesmo, a rir de seus demônios, dos diabos – aquilo que divide e separa – no eterno retorno ao uno absoluto. Pe. Aloysius, que se mistura com os povos dos locais por onde passa, possui o olhar capaz de ver e de aceitar, de agradecer e de comungar com todos, sem perder sua fé e seu caminho.
Sem dúvida este livro é um presente para o Brasil, neste momento em que novos grupos religiosos combatem grupos antigos e se recusam ao encontro e ao diálogo. Sejamos capazes de ler, entender e por em prática os ensinamentos de amor e cuidado terno, plenos de sabedoria e de humor tranqüilo que esta obra inspira.
Mãos em prece
Monja Coen

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Aloysius Pieris

Viver e arriscar. Estudos interreligiosos comparativos a partir de uma perspectiva asiática

O terceiro magistério é dos pobres (as pessoas destituídas, desapossadas, desalojadas e discriminadas) que formam a massa dos povos asiáticos, junto com sua forma específica de religiosidade cósmica, constituem uma escola onde muitos ativistas cristãos se reeducam na arte de falar a língua do Reino de Deus, quer dizer, a língua da libertação que Deus fala por meio de Jesus. Nem o magistério acadêmico nem o magistério pastoral estão fluentes neste idioma evangélico.
(...) O que acontece nas Comunidades Humanas de Base é uma verdadeira simbiose de religiões. Cada religião, desafiada pela aproximação única de outra religião à aspiração libertadora dos pobres descobre-se e renomeia-se em sua especificidade, em resposta às outras aproximações. O que descrevi como unicidade cristã na experiência da Comunidade Humana de Base reflete tanto o processo como o produto de uma simbiose.
(p. 80)

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