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Título: Os Guarani-Missioneiros e o Colonialismo Luso no Brasil Meridional
Subtítulo: Projetos Civilizatórios e Faces da Identidade Étnica (1750-1798)
Assunto: História, Missões Jesuíticas, Guarani - identidade étnica
Ano: 2005
Autor: Protasio Paulo Langer
Formato: 16x23x1,5 cm
Número de páginas: 252
Peso: 1.1 lbs / 0.5 kg
Editora: Martins Livreiro - Editor
Edição: 1
ISBN: 9788575370414
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Júlio Quevedo (Universidade Federal de Santa Maria - RS, Brasil):

Título: De uma forma magnífica, o Dr. Protasio Langer inicia o seu estudo sobre os guarani-missioneiros e o colonialismo luso no Brasil meridional, resgatando o cerne da questão a partir da premissa: "A conjunção de mundos radicalmente distintos quanto à organização das esferas social, econômica, política e religiosa é a chave interpretativa do fator histórico que deve nortear os estudos das relações entre europeus e povos autóctones das Américas".
Título: Nesse sentido, evidencia o seu objetivo na constante busca sobre o entendimento, e a profunda compreensão nas transformações da identidade étnica dos guaranis, àqueles que foram evangelizados pelos jesuítas ao longo dos séculos XVII—XVIII e depois foram inseridos no projeto do governo português, através do Diretório Pombalino, no período de 1768-1780.
Título: Poucos são os estudos relevantes, na historiografia sul-rio-grandense, que discutem de forma séria, reflexiva, crítica e que nos apresentam conclusões plausíveis sobre o problema do processo civilizatório dos povos indígenas no Rio Grande do Sul – principalmente no período colonial. Com certeza, podemos inserir as análises e conclusões expostas aqui, pelo Dr. Protasio Langer, nesse grupo seleto, que nos aponta direções corretas sobre a relação do povo guarani com as frentes colonialistas ibéricas e seu destino, nas mais diferentes inter-faces dos projetos civilizatórios. Nelas descobrimos o que sempre esteve encoberto e que poucos tiveram coragem de abordar: as faces da identidade étnica guarani, que Langer revisa de forma metódica, numa linguagem historiográfica atual, um velho e conhecido problema nosso, assumir ou não a aculturação de parcialidades do povo guarani, que foi seduzido pela fala do jesuíta missionário no século XVII.
Título: O Diretório Pombalino se expressou no Rio Grande de São Pedro colonial através da Aldeia de Nossa Senhora dos Anjos, atual e promissora cidade de Gravataí. Ali ocorreu a primeira e inédita experiência de aldeamento indígena em terras do governo português, no sul do Brasil. Entretanto, o mais interessante é o nexo que Langer estabelece entre as duas frentes de colonização ibéricas na região do Rio da Prata, apresentando o guarani como o elo de ligação entre elas.
Título: Dessa forma, a Martins Livreiro – Editor convida a todos para lerem, ao sabor das análises da presente obra, este fato tão importante e significativo à compreensão do passado colonial sul-rio-grandense, tão presente em nossa memória, identidade e cultura, que creio ainda nos incomoda e instiga: o que nossos antepassados fizeram com os nossos índios?

Título: A partir de 1640, por intermédio dos jesuítas, os povos missioneiros obtiveram armas de fogo da coroa espanhola para poderem barrar o avanço das incursões bandeirantes. Disso resultou que, já em 1641, os guarani, orientados pelos jesuítas, lograram embaraçar uma expedição que avançava sobre as reduções da margem direita do Uruguai, no local chamado M'Bororé, nas imediações de São Xavier. Tanto para os jesuítas quanto para os guarani, a obtenção de armas de fogo e sua eficácia comprovada na batalha de M'Bororé, teve um significado capital na consolidação do modelo catequético reducional. A vitória guarani, em M'Bororé, pode ser considerada o marco da superação das adversidades externas que instabilizavam o projeto jesuítico de catequese, muito embora outras três bandeiras ainda tivessem que ser derrotadas, em 1647, 1651 e 1656, até que o assédio dessas empresas cessasse definitivamente. (Os Guarani-Missioneiros..., p. 62)

Título: Como medida defensiva a investidas portuguesas contra as reduções, a reação das autoridades colonhais espanholas foi imediata. A Companhia de Jesus retomou a fundação de povoados missioneiros na margem esquerda do Rio Uruguai, abandonada desde 1640, dando origem aos chamados Sete Povos da Banda Oriental, entre 1682 e 1707. (Os Guarani-Missioneiros..., p. 68)

Título: Pela definição dos limites coloniais ibéricos, instaurados por meio do Tratado de Madri, no ano 1750, Portugal passava para a Espanha a Colônia do Sacramento em troca das Sete Missões da margem esquerda do Rio Uruguai. Para os guarani dos Sete Povos, o artigo XVI representou uma punição suprema e inconcebível. Este acordo estabelecia nada menos que a entrega das terras e dos povoados edificados ao longo de décadas aos seus derradeiros inimigos. (Os Guarani-Missioneiros..., p. 82)

Título: O Tratado de Madri, seguido dos supremos esforços para sua efetivação a qualquer custo, decretou o gradativo desmantelamento dos povoados missioneiros. Toda obstinada mobilização para uma resistência longa e tenaz, ao exército luso-espanhol, resultou num massacre de mais de mil e oitocentos milicianos missioneiros, na batalha de Caibotaé, e, ainda assim, não foi capaz de deter o avanço das forças ibéricas. Para o terror da sua população, os Sete Povos foram ocupados pelos exércitos ibéricos. Cartas de alguns guarani dos Sete Povos aos seus aparentados da margem oposta do Rio Uruguai expressam o desespero da população frente à impossibilidade de evitarem a ocupação dos povoados missioneiros: "Temo-vos também muito presentes em nossa memória, ainda quando nos encontramos no último extremo de nossas desgraças, a que já nos vemos reduzidos nestes Sete Povos, que Deus nos havia dado. Deveis, por isso saber que já os espanhóis e portugueses, com os seus dois exércitos aliados, estão a ponto de apoderar-se do Povo de São Miguel [...]. Diante do Senhor Sacramentado estamos aguardando nossa total derrota, para questão de horas. Aqui todos havemos de morrer como os nossos filhos inocentes e acaso também com os santos padres de nossas almas.". (Os Guarani-Missioneiros..., pp. 102-103)

Título: Os guarani-missioneiros, (...) experimentaram dois projetos civilizacionais distintos. O longo ciclo reduccional foi bruscamente interrompido pelas exigencias incondicionais do Tratado de Madri. Diversos fatores de ordem ideológica e política desestabilizaram o paradigma jesuítico, que acabou substituído por um novo regimento, elaborado pelos magnata e chefes do Estado lusitano - o Diretório Pombalino. O conflito de interesses pela civilização dos índios ficou restrito aos projetos dos colonos e da coroa; sem falar, é claro, do interesse dos índios. Se estes tivessem sido chamado a expor seu projeto, certamente teriam discrepado de ambos. Mas o índio, no entender do civilizador, não tinha plano e também não pensava: ele precisava ser planejado e pensado. (Os Guarani-Missioneiros..., pp. 131-2)

Protasio Paulo Langer

Os Guarani-Missioneiros e o Colonialismo Luso no Brasil Meridional

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