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Título: Decir el Cuerpo
Subtítulo: Historia y etnografía del cuerpo
Subtítulo: en los pueblos Guaraní
Assunto: Cultura guarani, etnografia, linguística
Autor: Graciela Chamorro
Editora: Tiempo de Historia, 2009, 16x23, 404p.
ISBN: 9789995381684
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Graciela Chamorro

Decir el Cuerpo. Historia y etnografía del cuerpo en los pueblos Guaraní

Preço: R$ 202,00

Wolf Dietrich:
Título: Os dicionários do Padre Antonio Ruiz de Montoya, dicionários do guarani da primeira metade do século XVII, representam a fonte mais rica de nossos conhecimentos do mundo guarani, da língua e da cultura guarani da época. O Bocabulario e o Tesoro, publicados em Madrid em 1640 e 1639, respectivamente, junto com o Arte e o Catecismo, contêm o acervo cultural guarani acessível ao autor. Antes de passar para os elogios de Montoya, creio que é importante dar-se conta também de suas limitações. Montoya não diz nada concreto sobre a diversidade dos povos guaranis de seu tempo, nada concreto sobre a variação dialetal do guarani que certamente existia. Não registrou em guarani as crenças, os mitos nem os ritos indígenas. Registrou, sim, muitos termos da fauna e flora, mas sem os descrever ou exemplificar com a mesma riqueza empregada ao anotar outros aspectos da cultura indígena.
Título:Por outro lado, seus dicionários colocam à disposição do usuário uma riqueza léxica assombrosa que está na base de muitos dicionários modernos do guarani, como os de Peralty e Osuna, de Guasch e de Ortiz Mayans. Nenhum dicionário moderno de qualquer das numerosas línguas tupi-guarani alcançou a riqueza de Montoya. Os 10.000 lemas sucintos de seu Bocabulario remetem o leitor aos 5.000 artigos do Tesoro, desenvolvidos com muitos exemplos, derivações e até mesmo lexemas não lematizados.
Título:É o grande mérito de Graciela Chamorro ter redescoberto esta riqueza interna dos dicionários de Montoya e tê-la aproveitado de maneira sistemática para seus interesses linguísticos e etnográficos. Sua ideia de tirar de Montoya tudo que pudesse servir para um estudo do saber de Montoya sobre a cultura e civilização guarani de sua época merece nosso mais profundo respeito. Ela não só demonstrou que os dicionários de Montoya contêm tesouros incríveis do saber etnográfico sobre os costumes e o pensamento dos antigos guaranis, mas também que ela, com a tenacidade de seus estudos de muitos anos, tem se tornado uma das melhores especialistas do chamado guarani clássico ou guarani jesuítico. O mundo dos guaranis da época das Reduções não é o nosso nem o dos indígenas avá, paî tavyterã ou kaiowá, mbyá e guarayu de hoje. A língua guarani dos séculos XVII e XVIII é em muitos aspectos diferente da de hoje.
Título:O estudo linguístico e etnográfico do corpo é parte dos amplos estudos de Graciela Chamorro neste campo. À primeira vista, Montoya parece ter evitado tudo que os missionários consideravam "indecente" no contexto do corpo humano e das atividades corporais. Um dos resultados surpreendentes dos estudos de Graciela é o realismo da descrição e, dessa forma, a presença de vários termos que não constam como lemas, mas se encontram "escondidos" nos exemplos dados no Tesoro. Sem dúvida, Montoya observou as realidades da vida dos indígenas e reuniu as expressões que usavam.

Mark Münzel:
Título:A tese antropológica que está aqui em suas mãos baseia-se em todos os conhecimentos das culturas e teologias tanto indígenas como acadêmicas que Graciela Chamorro recebeu, mas se concentra num ponto preciso, a saber, na ideia guarani do corpo, que ela reconstrói num trabalho quase detetivesco, paciente, exato, examinando atentamente as páginas dos léxicos escritos por Antonio Ruiz Montoya. O tesouro linguístico do jesuíta colonial oferece numerosos dados que a antropóloga-etnolinguísta ordena, avalia, classifica e compara com as formas atuais da fala guarani que ela conhece tão bem. E, retomando de maneira diferente e original a análise de Melià em sua tese doutoral, ela mostra desde outro ângulo como o trabalho dos linguistas missionários salvou do esquecimento da destruição uma enorme riqueza cultural indígena que ao mesmo tempo foi transformada e reduzida.
TítuloDevemos a Montoya e à sua perita leitora Graciela Chamorro o conhecimento dos vocábulos e, neles, das ideias guaranis sobre o corpo. Devemos à crítica de Graciela e ao seu trabalho etnográfico entre os povos guarani, kaiowá e mbyá de hoje a descoberta e a compreensão do conflito entre a ideia europeia, neoplatônica, incrustada na missão colonial, da superioridade da alma sobre o corpo, por um lado, e a alegria guarani do corpo, por outro.

Os Editores:
TítuloA obra Decir el Cuerpo (Dizer o Corpo), da antropóloga e etnolinguista Graciela Chamorro, é o primeiro volume do Dicionário etnográfico histórico da língua Guarani que, por meio da língua guarani tal como foi registrada nas fontes jesuíticas do séc. XVII, busca aceder à cultura e à visão de mundo refletidas por essa língua.
TítuloComo os grupos guaranis viviam e compreendiam seus corpos naquela época, em especial no âmbito erótico, sexual, reprodutivo e no desenvolvimento pessoal? Como os missionários e civilizadores interferiram nesse âmbito do modo de ser indígena? Quais apropriações e ressignificações foram feitas por parte dos guaranis e por parte dos jesuítas? Em busca de respostas, a autora reconstrói a ideia guarani do corpo iluminada por aspectos da antropologia, história e teologia, por meio de uma releitura minuciosa dos léxicos publicados pelo jesuíta Antonio Ruiz de Montoya no séc. XVII e a partir do seu próprio trabalho etnográfico atual com povos indígenas do Brasil, Paraguai e Argentina.

8.8.2 Expressões relativas à mulher
Título:O desejo da mulher pelo homem expressa-se com pota ou mbota, 'querer', como aparece em avapotahára, avapotase, avapotarise, ava ri ñemombotarise (V I, 161). Já a contenção da mulher ou sua apatia em relação aos homens é indicada dizendo que 'ela não tem ouvidos atentos para o varão', ava rehe apysavyre'y, que 'não dá atenção ao homem', ava rehe ñangarekuave'y (V I, 262).
Título:A mulher que teve relação sexual está corrompida, furada, ikuaráva'e, arrebentada, imombugipyra, quebrada, mboaipyra, não tem virgindade, imarãnyva'ee'y (V I, 268), é usada, che poru (T 319). Observe-se que em todos esses exemplos a mulher figura como sujeito passivo. O ativo é o homem (T, 226, 312, 319). Ela está ativa quando, na adolescência, 'ela mesma se perfura', oñembokua, 'se decompõe', oñemombochy (V I, 332). Quando a mulher diz em guarani 'o índio me levou', ava che pysy, Montoya traduz isso por 'o homem pecou comigo' (T, 291). A atividade sexual da mulher aparece, como no caso do homem, marcada pela instituição que a regulava, a família "cristã" monogâmica. Assim, a mulher que vive com um homem sem estar casada com ele é uma 'amancebada', kuña ijaguasáva'e (V I, 159).
Título:Para a mulher, explica Montoya, casar-se era 'conseguir macho'. Isso podia ser imposto pela autoridade paterna, como mostra o exemplo che membotahave'y che ru chemomenda, 'meu pai me casou por força com um que eu não desejava como marido' (T, 218).
Título:
Título:Título:TVOCABULARIO tulo:Título:lotulo:Título:lotulo:Título:lotulo:Título:lotulo:TítuTESORO
Amancebada: kuña ijaguasáva'e (V I, 159)ítulo:Título:o::ítulo:Tílo:lChe mombúka ava che rekóvo: deflorou-me, diz a mulher (T, 226)
Amiga de varões: avapotahára, avapotase, avapotase,tlo:Título:loo:Ava che pysy: o homem pecou comigo, diz a mulher (T, 291)
avapotarise, ava ri ñemombotarise, ava ri tekuára (V I, 161)
Título:(Decir el Cuerpo, p. 236 [tradução do espanhol).